Quarta Descida Ecológica do Rio Doce vai percorrer a bacia 10 anos após tragédia de Mariana

Expedição técnica e educativa se inspira na recuperação do Rio Sena, na França, e vai mobilizar até 60 participantes entre Minas Gerais e Espírito Santo

As soluções adotadas na recuperação do Rio Sena, na França — como drenagem com retenção de água da chuva, controle de resíduos e gestão integrada de bacias — vão servir de referência para a Quarta Descida Ecológica do Rio Doce, prevista para ocorrer entre os dias 4 de maio e 5 de junho.

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O tema foi debatido na Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo.

A expedição terá caráter técnico e educativo e vai percorrer toda a bacia do Rio Doce para avaliar as condições ambientais uma década após o rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), considerado o maior desastre hídrico do país.

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Em 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, de propriedade da mineradora Samarco — controlada pelas empresas Vale e BHP Billiton — lançou cerca de 60 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério na bacia.

O desastre provocou a morte de 19 pessoas, destruiu comunidades inteiras, comprometeu nascentes e matas ciliares e deixou impactos ambientais que se estenderam até a foz do rio, no Espírito Santo, e ao Oceano Atlântico.

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O que será avaliado

Durante a descida, os participantes vão mapear:

  • Situação das nascentes
  • Condições das matas ciliares
  • Tratamento de esgoto urbano e rural
  • Estruturas de contenção de sedimentos
  • Aplicação dos recursos da repactuação

Os valores destinados às ações de reparação e recuperação da bacia estão estimados em R$ 136 bilhões ao longo de 20 anos.

Mobilização em 51 localidades

A iniciativa prevê mobilização em 51 localidades, com palestras e debates em:

  • Escolas
  • Câmaras municipais
  • Prefeituras
  • Ministérios Públicos

A equipe direta será composta por 12 integrantes, sendo cinco descendo o rio de caiaque, além de grupos de apoio por terra, educadores ambientais e documentaristas. Ao longo do percurso, a mobilização pode reunir entre 50 e 60 participantes.

A última descida completa do Rio Doce ocorreu em 1998. Segundo os organizadores, a nova edição pretende:

  • Atualizar o diagnóstico ambiental da bacia
  • Fortalecer a integração entre ciência e gestão pública
  • Contribuir para a execução de políticas de recuperação hídrica

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