O projeto de duplicação da BR-101 no município de Ibiraçu, no Norte do Espírito Santo, pode resultar na desapropriação de aproximadamente 20 áreas localizadas ao longo do traçado previsto para o contorno da rodovia. Entre os imóveis que podem ser atingidos está um casarão com mais de 100 anos, considerado de valor histórico pela família que reside no local.
A residência pertence à família Perut e abriga atualmente 13 pessoas de quatro gerações, incluindo a matriarca Aurora Perut Barbosa, de 100 anos, e o patriarca Pedro Barbosa, de 96 anos. O imóvel também guarda obras do artista plástico capixaba José Paulo Dileta e, segundo familiares, preserva características arquitetônicas originais da época em que foi construído.
De acordo com a concessionária responsável pela rodovia, a Ecovias 101, os levantamentos realizados até o momento indicam cerca de 20 áreas potencialmente afetadas pelas obras.
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Crédito redes sociais
“A Ecovias 101 informa que o projeto de duplicação da BR-101 no trecho de Ibiraçu prevê a necessidade de desapropriação de áreas localizadas ao longo do traçado. Os levantamentos realizados até o momento indicam cerca de 20 áreas potencialmente afetadas”, informou a empresa em nota.
A concessionária destaca que o processo ainda está em fase de estudos técnicos e levantamento das propriedades que podem ser atingidas.
Segundo a empresa, caso as desapropriações sejam confirmadas, os proprietários terão direito à indenização, conforme determina a legislação.
Família tenta tombamento do casarão
A possibilidade de desapropriação preocupa a família Perut, que tenta garantir o tombamento histórico do imóvel junto ao município para evitar a demolição.
O empresário Daniel Perut Barbosa Melo, neto do casal de idosos que vive no casarão, já vinha mobilizando autoridades e lideranças políticas em busca de apoio para preservar o imóvel.
“O casarão está em perfeito estado de conservação, com praticamente tudo original da época. A arquitetura está toda preservada. Ele tem um valor histórico e cultural muito grande para o município”, afirmou Daniel em entrevista concedida no ano passado.
Segundo ele, engenheiros da concessionária chegaram a realizar uma vistoria técnica no local, que teria como objetivo avaliar o imóvel em caso de eventual indenização.
Nos últimos dias, surgiram informações de que os proprietários teriam recebido uma determinação judicial para deixar o imóvel em até 30 dias, mas a informação ainda não foi confirmada oficialmente.
Familiares relataram que a notícia da possível desapropriação teria causado forte impacto emocional, e que a matriarca da família chegou a ser hospitalizada após tomar conhecimento da situação.
Contorno de Ibiraçu terá 4,2 quilômetros
O projeto do Contorno de Ibiraçu prevê a construção de uma nova via com cerca de 4,2 quilômetros de extensão, incluindo trechos de duplicação paralelos à atual BR-101.
A proposta é retirar parte do tráfego de longa distância que atualmente passa pela área urbana do município, especialmente veículos pesados.
Segundo a Ecovias 101, o novo traçado deverá trazer benefícios como:
- redução de congestionamentos na cidade
- diminuição de ruídos e vibrações causados por caminhões
- aumento da segurança viária
- melhoria da qualidade do ar
O projeto também prevê a construção de dois viadutos, planejados para os quilômetros 212+350 e 214+640 da rodovia.
Obras ainda dependem de licença ambiental
Apesar de o projeto já estar em desenvolvimento, o trecho do contorno de Ibiraçu ainda depende da etapa final do licenciamento ambiental.
Segundo a concessionária, o Ibama já realizou vistoria técnica de campo, etapa considerada fundamental dentro do processo.
“A emissão da licença ambiental de instalação permitirá a mobilização das equipes e o início das obras nesse segmento”, informou a empresa.
Órgãos públicos foram procurados
A Prefeitura de Ibiraçu foi questionada sobre a possibilidade de tombamento municipal do casarão da família Perut e informou apenas que o processo está em análise no Executivo.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) também foi procurado sobre eventual reconhecimento do imóvel como patrimônio histórico, mas não respondeu aos questionamentos até o momento.
Já o Ibama informou que aguarda a conclusão do processo de desapropriação para dar prosseguimento ao licenciamento das obras no trecho da rodovia.
Caso as desapropriações sejam confirmadas, a Ecovias informou que o contrato da concessão prevê medidas de acompanhamento social às famílias impactadas, por meio do chamado Plano de Ação de Reassentamento (PAR), mecanismo utilizado em grandes obras de infraestrutura para garantir condições adequadas de moradia e qualidade de vida às famílias deslocadas.
ES FALA: informação Folha Vitória















