O dia 1º de abril, conhecido como o “dia da mentira”, deve trazer um impacto bem real para os usuários do transporte público em Linhares. A partir da próxima quarta-feira (01/04), a população poderá passar a pagar a tarifa mais cara do Estado.
O aumento ocorre mesmo com um projeto de subsídio já encaminhado pela Prefeitura à Câmara Municipal, mas que ainda não estará pronto para votação antes da data prevista para o reajuste.
A concessionária responsável pelo serviço, a Via Norte, enfrenta dificuldades financeiras devido à falta de repasses do município e já teria comunicado à Secretaria Municipal de Obras que irá atualizar a tarifa diretamente nas catracas.
Atualmente, a passagem está congelada em R$ 4,95. No entanto, o valor correto já deveria ser de R$ 5,30 desde o dia 31 de dezembro de 2025, quando o subsídio anterior foi encerrado. A situação se agravou ainda mais no fim de janeiro, quando o Conselho Tarifário definiu a nova tarifa técnica em R$ 5,60.
Apesar disso, o reajuste não foi oficializado pelo prefeito dentro do prazo legal de 48 horas.
Impacto direto no bolso do trabalhador
Na prática, o aumento será imediato para quem depende do transporte público.
Para os passageiros da sede, o acréscimo será de R$ 0,65 por viagem. Já para moradores do interior, o impacto é ainda mais pesado.
Em localidades como Degredo, por exemplo, a tarifa pode chegar a R$ 31,80. Com o subsídio, esse valor cairia para R$ 15,00.
A diferença representa um custo adicional de R$ 33,60 por dia (ida e volta) para quem trabalha na cidade. Em um mês com 22 dias úteis, o gasto extra pode alcançar R$ 739,20.
Projeto pode demorar até 45 dias
O projeto de subsídio enviado pela Prefeitura recebeu parecer favorável da Procuradoria da Câmara na tarde desta terça-feira (24), mas ainda precisa passar por várias etapas.
O texto será analisado pelas comissões de Constituição e Justiça, Finanças, Economia, Orçamento e Fiscalização, além da comissão residual. O prazo total de tramitação pode chegar a até 45 dias.
Nos bastidores, o tema já provoca mobilização política. O vereador Caio Ferraz protocolou um pedido de audiência pública para discutir o assunto, prevista para o dia 8 de abril.
Caso a audiência seja aprovada e o projeto votado apenas na sessão seguinte, no dia 13 de abril, a população deverá arcar com a tarifa mais alta por pelo menos 13 dias.















