O mundo voltou os olhos para o espaço nos últimos dias por conta de uma nova missão rumo à Lua — e, junto com ela, imagens impressionantes da Terra têm repercutido globalmente. Uma delas ganhou destaque especial entre os brasileiros, principalmente para os capixabas.
Divulgada na última sexta-feira (03) pela NASA, a fotografia foi capturada por tripulantes durante a missão Artemis II e mostra o planeta em uma perspectiva rara — com possibilidade de identificação do Espírito Santo.
Especialista aponta possível identificação do ES
A identificação da região capixaba na imagem foi analisada pela astrofísica Thaisa Storchi Bergmann, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), a pedido do portal Folha Vitória.
Segundo a pesquisadora, a visualização é possível a partir do contorno do litoral e dos pontos luminosos que representam áreas urbanas.
“Como a imagem foi feita à noite, aparecem as luzes das cidades, que ajudam a localizar os pontos mais brilhantes, mesmo com a influência da luz da Lua”, explicou.
Nas redes sociais, a imagem gerou grande repercussão, com usuários tentando identificar regiões do Brasil como Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e o próprio Espírito Santo.
De acordo com a especialista, a imagem foi capturada durante a noite, mas com forte influência da Lua cheia, o que permitiu observar detalhes incomuns do planeta.
Mesmo com interferência de nuvens, os chamados “pontinhos” de luz — que representam cidades — ajudam na interpretação da imagem. Após identificar estados como Rio de Janeiro e São Paulo, o Espírito Santo aparece entre eles.
“Mesmo com interferência das nuvens, dá para perceber padrões que podem indicar regiões específicas — e um desses pontos pode ser, sim, o Espírito Santo”, destacou.
Posição no espaço pode confundir leitura
Outro fator que influencia a análise é a orientação da imagem. No espaço, não há referência fixa de “cima” ou “baixo”, o que pode dificultar a leitura dos continentes.
“O que é para cima ou para baixo depende do ponto de vista. Na cápsula, não existe essa referência”, explicou a pesquisadora.
Ainda assim, é possível identificar elementos como o continente africano, pela coloração mais marrom, separado do Brasil pelo Oceano Atlântico.
Um dos principais destaques do registro é a possibilidade de observar a Terra quase por completo — algo incomum em imagens feitas a partir da Estação Espacial Internacional, que orbita a cerca de 300 quilômetros de altitude e registra apenas partes do planeta.
Além disso, a imagem também permite visualizar fenômenos como a extensão das auroras boreal e austral.
A missão Artemis II teve início na quarta-feira (1º) e segue até o dia 10. O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre a Lua e preparar futuras missões tripuladas, com previsão de retorno à superfície lunar em 2028 — mais de meio século após as missões Apollo.














