Motoristas por aplicativo formalizaram uma cobrança à empresa Uber após uma série de instabilidades na chamada “Uber Conta”, que impediram saques e transferências via Pix dos valores recebidos pelas corridas. O problema, segundo a categoria, vem sendo registrado desde o último dia 24 e tem impactado diretamente a rotina de trabalho.
A notificação extrajudicial foi encaminhada por entidades como o Sintappes (Sindicato dos Trabalhadores e Prestadores de Serviços de Aplicativos de Transporte do Espírito Santo) e a Aliança Nacional dos Motoristas por Aplicativos, com apoio de outras organizações ligadas à categoria.
De acordo com as entidades, a indisponibilidade dos serviços dificultou o acesso dos motoristas aos valores recebidos pelas corridas. O documento cobra esclarecimentos da empresa sobre a interrupção das transferências via Pix e a impossibilidade de realizar saques.
O presidente do Sintappes, Gessé Gomes de Souza Júnior, afirmou que a situação tem causado insegurança entre os trabalhadores. “Os custos são diários. Quando o acesso ao dinheiro é bloqueado, o motorista não sabe a quem recorrer”, destacou.
Segundo ele, a categoria busca um compromisso formal da plataforma para a resolução do problema. Em resposta, o suporte da Uber informou que trabalha para normalizar os serviços após instabilidades técnicas, mas não apresentou um prazo definitivo para regularização completa.
A empresa já havia informado anteriormente que o problema afetou temporariamente os saques e operações da Uber Conta, serviço operado pelo banco digital Digio. O Digio declarou que identificou um “comportamento atípico” em seus sistemas no dia 24 e que, por precaução, suspendeu temporariamente funcionalidades como Pix e saque digital. Ainda segundo o banco, não houve prejuízo financeiro nem vazamento de dados.
Apesar disso, motoristas relatam que as dificuldades persistiram mesmo após a data em que os serviços teriam sido restabelecidos. Em redes sociais e plataformas de reclamação, trabalhadores afirmam que o saldo das corridas permanecia visível no aplicativo, mas sem possibilidade de movimentação.
Mobilização e protestos
O caso também ganhou força em mobilizações da categoria. O tema foi levado às manifestações do Dia do Trabalhador, realizadas na Praça Getúlio Vargas, no Centro de Vitória.
Além disso, trabalhadores articulam novas paralisações em diversas cidades do país, conhecidas como “breques dos apps”, com previsão de atos em estados como Rio de Janeiro, Paraíba e Pernambuco.
Entre as principais reivindicações estão a definição de uma remuneração mínima por corrida ou entrega, pagamento proporcional por quilômetro rodado e mudanças em práticas operacionais consideradas prejudiciais, como a chamada “rota dupla”.
Debate sobre regulamentação
A situação reacende o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos no Brasil. Propostas em discussão no Congresso Nacional buscam estabelecer regras mínimas para a atividade, incluindo direitos trabalhistas, segurança e maior transparência nas plataformas.
No entanto, projetos recentes enfrentam dificuldades para avançar. Um deles, o PL 2479/25, não chegou a ser votado. Já o Projeto de Lei Complementar (PLP) 152/2025 foi retirado de pauta após divergências entre parlamentares e representantes do setor.
Enquanto isso, motoristas e entregadores seguem se organizando em todo o país para reivindicar melhores condições de trabalho e maior proteção diante das mudanças no modelo de emprego mediado por aplicativos.















