O presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, Marcelo Santos, fez um discurso contundente nesta segunda-feira (4) ao levantar suspeitas de irregularidades no Consórcio Público da Região Norte do Espírito Santo (CIM Norte). Durante sessão ordinária, ele mencionou a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a entidade.
Entre os principais alvos das críticas está Flávia Milanese, ex-prefeita de Boa Esperança e atual superintendente da Rede Cuidar na região. Segundo Marcelo Santos, ela estaria utilizando sua posição para prejudicar a gestão do atual prefeito Claudio Boa Fruta, adversário nas eleições de 2024.
“Quem paga essa conta não é o prefeito, é o povo que sofre”, afirmou o parlamentar ao criticar supostas interferências políticas na condução dos serviços.
Irregularidades e possível sobrepreço
O discurso ocorre após decisão do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo, que no mês passado determinou a suspensão de uma licitação do CIM Norte, estimada em R$ 78,2 milhões, por indícios de irregularidades.
Auditores apontaram problemas como:
- ausência de justificativa adequada na escolha do modelo de contratação
- exigência incomum de veículos zero quilômetro
- valores de referência acima dos praticados no mercado
Segundo o relatório, há indícios de possível sobrepreço, o que poderia levar à execução de contratos superfaturados.
Além da suspensão, foram aplicadas multas ao presidente do consórcio, Edilson Monteiro, e ao superintendente administrativo, Daniel Bissoli.
Apoio à CPI e pressão política
A proposta de abertura de CPI recebeu apoio de deputados como Callegari e Lucas Polese. Outros parlamentares também endossaram as críticas, embora tenham ressaltado que problemas não são generalizados nos consórcios públicos.
O deputado Vandinho Leite afirmou que a maioria dos consórcios funciona bem, mas admitiu falhas no CIM Norte, chegando a mencionar um possível “arranjo político” para favorecer atendimentos.
Estrutura e importância do CIM Norte
O CIM Norte reúne 14 municípios das regiões Norte e Noroeste do Espírito Santo e atua na contratação compartilhada de serviços de saúde. A entidade trabalha em conjunto com a Rede Cuidar, vinculada à Secretaria de Estado da Saúde, responsável por atendimentos de média e alta complexidade.
Contexto político
A crise também expõe um embate político local. Flávia Milanese governou Boa Esperança após eleição suplementar e tentou a reeleição em 2024, quando foi derrotada por Claudio Boa Fruta.
Após deixar o cargo, passou a integrar a estrutura da Rede Cuidar, ligada ao governo estadual, o que amplia o peso político das críticas feitas pelo presidente da Assembleia.
O caso segue em discussão e pode ganhar novos desdobramentos com a eventual instalação de uma CPI na Assembleia Legislativa.















