Para milhares de motoristas que trafegam diariamente entre João Neiva, Colatina, Baixo Guandu e municípios vizinhos, a BR-259 é mais do que uma importante ligação rodoviária do Espírito Santo. Para muitos, ela se transformou em uma estrada que exige atenção redobrada a cada quilômetro percorrido.
Não por acaso, a rodovia ganhou ao longo dos anos um apelido forte e que ainda hoje é repetido por moradores, empresários, caminhoneiros e trabalhadores da região: “Guilhotina”.
O nome é cercado por um relato popular conhecido em Colatina e cidades vizinhas. Segundo a história, um importante empresário árabe teria visitado uma indústria da região e, ao ser transportado pela BR-259, ficou impressionado com as condições da estrada. Ao chegar ao destino, teria questionado o anfitrião sobre o motivo de ter sido levado por uma rodovia que classificou como uma verdadeira “guilhotina”. Embora não existam registros oficiais que confirmem o episódio, a expressão atravessou os anos e continua sendo usada por quem conhece de perto os desafios da estrada.
Viagem marcada pela insegurança
As reclamações dos usuários da BR-259 vão muito além do apelido.
Em diversos trechos entre João Neiva e Colatina, o mato alto às margens da pista compromete a visibilidade dos motoristas. Entradas de propriedades rurais, acessos secundários e até curvas acabam parcialmente encobertos pela vegetação.
Para quem precisa utilizar a rodovia diariamente, a sensação é de que muitas vezes o motorista fica à mercê da sorte.
Durante a noite, a situação se torna ainda mais preocupante. Além da vegetação avançando sobre as margens, muitos condutores reclamam da deficiência da sinalização horizontal.
Em vários pontos, as faixas centrais e laterais apresentam desgaste acentuado ou praticamente desapareceram. Em dias de chuva ou neblina, a falta de pintura adequada dificulta a visualização dos limites da pista e aumenta os riscos de acidentes.
Asfalto preocupa motoristas
Outro alvo constante de críticas é a condição do pavimento em determinados trechos da rodovia.
Motoristas relatam irregularidades, remendos e pontos que exigem redução repentina da velocidade. Para caminhoneiros e condutores que percorrem a estrada diariamente, a manutenção não acompanha a necessidade de uma rodovia que possui intenso fluxo de veículos leves e pesados.
A BR-259 é uma das principais ligações entre a região Central, o Norte e o Noroeste do Espírito Santo, além de servir como importante corredor para o transporte de cargas.
Muitos radares, poucas melhorias
Outro assunto que frequentemente gera debate entre os usuários da rodovia é a quantidade de radares instalados ao longo do trecho.
Motoristas reconhecem que a fiscalização eletrônica tem papel importante na prevenção de acidentes. No entanto, muitos questionam o fato de alguns equipamentos estarem localizados em áreas onde a vegetação dificulta a visualização das placas de advertência e dos próprios radares.
As reclamações aumentam quando os usuários observam que problemas históricos da rodovia, como mato alto, sinalização precária e falta de manutenção adequada, continuam sem solução definitiva.
Para muitos moradores da região, existe a percepção de que a fiscalização avança mais rapidamente do que as melhorias estruturais necessárias para garantir segurança aos usuários.
Rodovia estratégica para o desenvolvimento regional
A BR-259 é uma das principais portas de entrada para Colatina e desempenha papel fundamental para a economia do Norte e Noroeste capixaba.
Todos os dias, milhares de trabalhadores, estudantes, empresários, produtores rurais, ambulâncias e veículos de carga dependem da rodovia para se deslocar entre municípios.
Por isso, usuários defendem investimentos mais consistentes na limpeza das margens, recuperação do asfalto, reforço da sinalização vertical e horizontal e manutenção permanente da via.
Enquanto essas melhorias não chegam de forma ampla, o apelido de “Guilhotina” continua sendo repetido por quem conhece de perto os riscos enfrentados diariamente ao longo da BR-259.
Opinião de quem passa pela rodovia
“Não adianta instalar radares se o motorista não consegue enxergar adequadamente a sinalização da pista durante a noite. Segurança começa com infraestrutura de qualidade.”
“A BR-259 é uma rodovia fundamental para o desenvolvimento da região. Quem trafega por ela todos os dias não quer privilégios, quer apenas condições seguras para viajar e voltar para casa.”















