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Tarifaço dos EUA traz alívio para gigantes da economia do Espírito Santo, mas preocupa setores estratégicos

Petróleo, minério, celulose, café e pimenta ficaram fora da proposta de sobretaxa de 25%, enquanto rochas ornamentais, café solúvel, pescados e carnes seguem sob ameaça

Por ES Fala
· 3 min de leitura · Sem comentários
Tarifaço dos EUA traz alívio para gigantes da economia do Espírito Santo, mas preocupa setores estratégicos

A proposta do governo dos Estados Unidos de aplicar uma tarifa adicional de 25% sobre determinados produtos brasileiros trouxe um misto de alívio e preocupação para a economia do Espírito Santo. Embora a maior parte dos principais produtos exportados pelo Estado tenha ficado fora da lista inicial, setores estratégicos da indústria e do agronegócio capixaba ainda correm o risco de serem afetados pela medida.

A proposta foi apresentada pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), mas ainda não está definida. A decisão final deverá ser tomada até o próximo dia 15 de julho, período em que são esperadas negociações entre os dois países.

Gigantes da economia capixaba escapam da lista

O principal motivo de tranquilidade para empresários e produtores do Espírito Santo é que alguns dos maiores produtos da pauta de exportações do Estado foram excluídos da proposta inicial de tarifação.

Entre eles estão o petróleo, minério de ferro, celulose, café em grão, pimenta-do-reino e os quartzitos, uma das principais categorias das rochas ornamentais exportadas para o mercado norte-americano.

Também ficaram fora da proposta frutas, gengibre e carne bovina, produtos importantes para o agronegócio brasileiro.

Como esses segmentos representam grande parte das exportações capixabas para os Estados Unidos, a exclusão foi recebida como um importante sinal positivo para a economia estadual.

Setor de rochas ornamentais acende sinal de alerta

Apesar do alívio inicial, a indústria de rochas ornamentais continua acompanhando a situação com preocupação.

Granitos, mármores, ardósias e outros produtos do setor aparecem entre os itens que podem ser atingidos pela tarifa adicional de 25%.

Segundo estimativas do Centrorochas, cerca de 45% do faturamento das exportações brasileiras de rochas naturais pode ficar exposto aos efeitos da medida.

Somente em 2025, o Brasil exportou aproximadamente US$ 1,2 bilhão em blocos e chapas de rochas ornamentais. Os Estados Unidos foram responsáveis por cerca de metade desse mercado.

A preocupação é ainda maior porque aproximadamente 80% do parque industrial brasileiro de beneficiamento de rochas está instalado no Espírito Santo, tornando o Estado o principal polo do setor no país.

Café solúvel também preocupa

Outro segmento que acompanha com atenção as negociações é o de café solúvel.

O Espírito Santo abriga um dos maiores parques industriais de produção de café solúvel do Brasil e recebeu investimentos bilionários nos últimos anos para ampliar sua capacidade produtiva.

Os Estados Unidos estão entre os principais compradores do produto brasileiro. Caso a nova tarifa seja confirmada, o setor poderá enfrentar dificuldades para manter sua competitividade naquele mercado.

Representantes da cadeia produtiva avaliam que encontrar novos compradores não é uma tarefa simples, já que o mercado internacional é bastante competitivo e cada país possui preferências específicas relacionadas ao sabor e às características do produto.

Outros setores sob risco

Além das rochas ornamentais e do café solúvel, outros segmentos do agronegócio também aparecem entre os produtos que podem ser atingidos pela nova tributação proposta pelos norte-americanos.

Entre eles estão:

  • Pescados;
  • Ovos;
  • Carne de frango.

A eventual aplicação da tarifa pode reduzir a competitividade desses produtos no mercado dos Estados Unidos, um dos principais destinos das exportações brasileiras.

E o aço?

Uma das principais indústrias instaladas no Espírito Santo, o setor siderúrgico não foi incluído na nova proposta apresentada pelo USTR.

Isso ocorre porque o aço já está sujeito a regras tarifárias específicas estabelecidas pelo governo norte-americano.

No entanto, o setor segue atento às mudanças na política comercial dos Estados Unidos, especialmente após ajustes realizados recentemente nas regras aplicadas aos produtos siderúrgicos.

Expectativa até julho

Enquanto a decisão final não é anunciada, empresários, produtores rurais e representantes da indústria capixaba acompanham as negociações entre Brasil e Estados Unidos.

A expectativa é de que o diálogo entre os dois países possa evitar impactos significativos para setores que têm forte participação na geração de empregos, investimentos e exportações do Espírito Santo.

Até o dia 15 de julho, quando está prevista a definição sobre a proposta, a economia capixaba seguirá observando atentamente os desdobramentos das discussões comerciais.

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