A Polícia Civil do Espírito Santo revelou, durante entrevista coletiva realizada na tarde desta quinta-feira (25), novos detalhes da investigação que levou à prisão preventiva de um homem de 36 anos, morador da zona rural de São Gabriel da Palha, suspeito de utilizar a inteligência artificial ChatGPT para relatar planos de matar o próprio filho, de 8 anos, e promover ataques em escolas, igrejas e contra autoridades públicas.
Segundo os investigadores, a apuração teve início após a OpenAI, empresa responsável pelo ChatGPT, identificar conversas consideradas graves e encaminhar um alerta ao FBI, a polícia federal dos Estados Unidos. O órgão norte-americano comunicou o Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça e Segurança Pública, que acionou a Polícia Civil do Espírito Santo.
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Polícia dentro de residência/Crédito PC
Do recebimento do alerta internacional, em 16 de junho, até a prisão do suspeito, em 19 de junho, transcorreram apenas três dias.
“O FBI notificou o Laboratório Cibernético do Ministério da Justiça, com o qual já mantemos uma parceria há vários anos. A partir dessa comunicação iniciamos as investigações e conseguimos prender esse indivíduo”, explicou o delegado Brenno Andrade, chefe da Divisão Patrimonial e titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).
Planos descritos nas conversas
De acordo com o delegado Ícaro Olímpio, adjunto da DRCC, os diálogos enviados pelo investigado à inteligência artificial continham relatos de que ele pretendia matar o próprio filho para evitar o pagamento de pensão alimentícia.
Ainda segundo a Polícia Civil, nas mensagens o homem afirmava possuir arma de fogo, corda e cianeto, além de mencionar a intenção de contratar um pistoleiro para executar a criança.
Os investigadores também informaram que o suspeito descreveu planos para entrar em escolas e igrejas com o objetivo de fazer o maior número possível de vítimas.
“O principal motivo apontado nas conversas seria impedir que, futuramente, a ex-companheira cobrasse pensão alimentícia da avó paterna da criança”, afirmou o delegado Ícaro Olímpio.
Segundo a Polícia Civil, o menino mora com a mãe em outro município da região e não mantinha contato com o pai.
Prisão evitou possível crime, diz Polícia Civil
Para os investigadores, a atuação rápida impediu que um crime de grandes proporções pudesse ocorrer.
“Nós atuamos de forma preventiva para evitar esse grave crime. Com autorização judicial, cumprimos os mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva, retirando esse indivíduo do convívio social”, destacou Ícaro Olímpio.
Celular será periciado
Durante a operação, o telefone celular do investigado foi apreendido e será submetido à perícia da Polícia Científica.
O objetivo é verificar se realmente existiu contato com um suposto pistoleiro citado nas conversas.
“A gente tem interesse em identificar essa pessoa e confirmar se ela realmente existe”, explicou Brenno Andrade.
Suspeito negou intenção de matar o filho
Apesar do conteúdo das mensagens analisadas pela investigação, o homem negou, durante o interrogatório, que tivesse intenção de matar o filho.
“Ele disse que aquilo não era verdade. Porém, as conversas registradas apresentam outro cenário e seguem sendo analisadas pela investigação”, afirmou o delegado Brenno Andrade.
Segundo a Polícia Civil, o suspeito declarou ser lavrador e possuir uma plantação de café. Conforme os diálogos atribuídos a ele, o dinheiro obtido com a venda da produção seria utilizado para pagar um pistoleiro.
Alerta sobre o uso da inteligência artificial
Durante a coletiva, os delegados fizeram um alerta sobre o uso responsável das ferramentas de inteligência artificial.
“As pessoas precisam ter consciência de que aquilo que escrevem em plataformas de inteligência artificial pode ser registrado e comunicado às autoridades quando houver indícios de crimes graves. Foi exatamente isso que aconteceu neste caso, permitindo que um possível homicídio fosse evitado”, ressaltou o delegado Brenno Andrade.
O investigado permanece preso preventivamente. Até o momento, ele responde por crimes como ameaça e incitação ao crime, mas a Polícia Civil informou que o indiciamento ainda está em fase de conclusão e poderá incluir outras tipificações penais, conforme o avanço das investigações.











