O cenário político do Espírito Santo ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (20). O PSD, partido do ex-governador Paulo Hartung, anunciou que deixou de integrar o grupo político do ex-prefeito de Vitória Lorenzo Pazolini (Republicanos) e passou a discutir a possibilidade de lançar candidatura própria ao Governo do Estado e também ao Senado.
Em nota divulgada pelo presidente estadual da legenda, Renzo Vasconcelos, o partido informou que, após reunião com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, decidiu abrir diálogo com todos os pré-candidatos ao governo capixaba.
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“O PSD tem tamanho, força e nomes para lançar candidatura própria ao governo e ao Senado”, afirmou Renzo.
A decisão representa uma mudança significativa na estratégia da sigla, que até então declarava apoio ao projeto eleitoral de Pazolini.
Aliança com o PL provocou desgaste
A mudança de posição ocorreu logo após o Republicanos consolidar uma aproximação com o PL, do senador Magno Malta.
Nos últimos dias, Pazolini intensificou o alinhamento com o grupo bolsonarista e passou a defender publicamente a pré-candidatura de Maguinha Malta ao Senado, movimento que tornou mais complexa a convivência política entre Republicanos, PL e PSD dentro da mesma chapa.
Nos bastidores, a avaliação é de que acomodar interesses tão distintos seria um desafio, principalmente porque o PSD também possui um nome colocado para disputar o Senado: o deputado estadual Sérgio Meneguelli.
PSD quer autonomia
Embora não tenha participado da reunião que definiu o novo posicionamento da legenda, Meneguelli comemorou a decisão e sinalizou que o partido pretende conduzir seu projeto político sem interferências externas.
“Ninguém vai ditar as normas para o PSD. Agora estamos livres”, declarou.
Além de Meneguelli, o próprio Paulo Hartung continua sendo apontado como um dos possíveis nomes da legenda para disputar tanto o Governo do Estado quanto uma das duas vagas ao Senado que estarão em disputa nas eleições deste ano.
Novo cenário eleitoral
Com a saída do grupo de Pazolini, o PSD afirma que passará a conversar com todos os pré-candidatos ao Palácio Anchieta.
Além do ex-prefeito de Vitória, estão na disputa o governador Ricardo Ferraço (MDB) e o deputado federal Helder Salomão (PT).
A decisão amplia as possibilidades de alianças para o PSD e pode alterar significativamente o desenho da corrida eleitoral no Espírito Santo. Ao mesmo tempo, aumenta a incerteza sobre a formação das chapas majoritárias, que deverá ser definida nas convenções partidárias das próximas semanas.
ALERTA DE PRAGMATISMO POLÍTICO FOI LANÇADO
As articulações para a eleição ao Governo do Espírito Santo começam a revelar um cenário marcado pelo pragmatismo político, no qual antigos adversários podem dividir o mesmo palanque em nome de um objetivo comum: vencer a eleição de 2026.
A composição liderada pelo prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), reúne personagens que, até pouco tempo, ocupavam lados opostos da política capixaba. De um lado está o ex-governador Paulo Hartung (PSD); do outro, o senador Magno Malta (PL), aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro. Os dois protagonizaram embates políticos durante mais de 30 anos e construíram carreiras em campos ideológicos distintos.
Caso a aliança seja oficializada nas convenções, o desafio deixará de ser apenas eleitoral. Caberá aos próprios aliados explicar ao eleitor como antigos rivais, que durante décadas trocaram críticas e acusações públicas, agora dividem o mesmo projeto político.
Política de conveniência
A aproximação evidencia uma realidade cada vez mais comum na política brasileira: as alianças passam a ser construídas menos pela afinidade de ideias e mais pela necessidade de ampliar tempo de televisão, estrutura partidária e potencial eleitoral.
Nesse contexto, Pazolini busca consolidar uma ampla frente política, aproximando-se do PL para fortalecer sua candidatura sem abrir mão do apoio do PSD, partido de Hartung. A estratégia, entretanto, exige equilíbrio para evitar conflitos internos e preservar a credibilidade do discurso junto ao eleitorado.
Reflexos do cenário nacional
As negociações estaduais ocorrem enquanto o PL enfrenta turbulências em âmbito nacional. O partido vive um período de disputas internas envolvendo integrantes da família Bolsonaro, após divergências sobre alianças políticas e a condução da pré-campanha presidencial.
Ao mesmo tempo, o PSD mantém oficialmente uma posição de independência na disputa nacional, embora tenha concedido autonomia aos diretórios estaduais para formar alianças conforme a realidade local.
Essa flexibilidade abre espaço para composições que, há poucos anos, seriam consideradas improváveis.
O eleitor será convencido?
A principal incógnita é saber como o eleitor receberá esse novo desenho político. Em uma época em que discursos de coerência ideológica costumam ocupar espaço nas campanhas, alianças entre antigos adversários inevitavelmente despertam questionamentos.
No fim das contas, a matemática eleitoral pode falar mais alto do que as diferenças históricas. Resta saber se o eleitor enxergará a união como um gesto de maturidade política ou apenas mais um exemplo de que, na disputa pelo poder, velhos discursos podem ser deixados de lado em nome da conveniência.














