O incêndio de grandes proporções que destruiu o galpão do Arquivo Geral do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), no bairro Jardim Limoeiro, na Serra, na manhã desta terça-feira (21), ocorreu meses após denúncias alertarem para o risco de uma tragédia no local. Em outubro do ano passado, problemas estruturais e de segurança já haviam sido apontados por servidores e repercutidos publicamente.
Na época, o Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário do Espírito Santo (Sindijudiciário-ES) afirmou que o acervo estava armazenado em um ambiente considerado inadequado, com relatos de mofo, pragas, desorganização e condições que poderiam favorecer a ocorrência de incêndios, além de comprometer a preservação de documentos históricos e jurídicos.
Em ofício encaminhado ao Tribunal de Justiça, a entidade destacou que a precariedade do espaço colocava em risco documentos considerados essenciais para a memória institucional e para a prestação jurisdicional, alertando para a possibilidade de perdas irreversíveis caso providências não fossem adotadas.
Após a divulgação das denúncias, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) informou que solicitou esclarecimentos ao TJES e passou a acompanhar a situação por meio do Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário (Proname).
Galpão foi totalmente destruído
As chamas começaram por volta das 6h30 desta terça-feira e consumiram completamente o galpão onde estavam armazenados os arquivos físicos do Tribunal. Segundo o comandante-geral do Corpo de Bombeiros Militar, coronel Alexandre dos Santos Cerqueira, o incêndio ficou restrito ao imóvel atingido, sem risco de propagação para edificações vizinhas.
Em nota, o TJES informou que a atual gestão, iniciada em dezembro de 2025, vinha realizando ações de organização, limpeza e conservação do Arquivo Geral, incluindo mutirões de manutenção e uma força-tarefa realizada em junho deste ano. O órgão destacou ainda que bens permanentes novos haviam sido retirados do local durante a reorganização e, por isso, não foram atingidos pelo incêndio.
O Tribunal confirmou, no entanto, que os arquivos físicos armazenados no galpão sofreram perda total, embora parte do acervo já estivesse digitalizada. As causas do incêndio serão investigadas por meio de perícia técnica, que deverá apontar como o fogo teve início e esclarecer as circunstâncias da ocorrência.










