Depois de quase 17 anos marcada por desabamentos, interdições e riscos à segurança, a antiga Ponte Getúlio Vargas, localizada no km 151 da BR-101, em Linhares, no Norte do Espírito Santo, está entrando em sua fase final de demolição. O último vão remanescente da estrutura deverá ser derrubado até o fim desta semana.
A operação mobiliza trabalhadores de diferentes cidades do Espírito Santo e também do Estado de São Paulo, que atuam no desmonte controlado da ponte, considerada uma das mais antigas da região.
A demolição ocorre após um Relatório Técnico de Inspeção Extraordinária, solicitado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), apontar que os dois vãos que permaneciam de pé apresentavam estado avançado de deterioração, com risco iminente de novos desabamentos. O documento levou à decretação de Situação de Emergência da estrutura em fevereiro deste ano.
Obra de R$ 25 milhões pode terminar antes do previsto
As obras tiveram início em maio, quando a empresa contratada pelo DNIT iniciou a instalação do canteiro e a preparação para o desmonte da estrutura, além da retirada dos escombros que permanecem no leito do Rio Doce.
O investimento é de aproximadamente R$ 25 milhões, com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O contrato prevê conclusão em janeiro de 2027, mas trabalhadores envolvidos na operação afirmam que os serviços podem ser finalizados antes, possivelmente até setembro deste ano.
Demolição exige cuidados por causa de gasoduto
Por questões de segurança, a demolição não utiliza explosivos. A medida foi adotada devido à existência de uma rede de gás natural instalada nas proximidades da antiga ponte.
A ES Gás informou que acompanha toda a operação para garantir a integridade da tubulação, responsável pelo abastecimento de grande parte das indústrias, estabelecimentos comerciais e residências de Linhares.
Estrutura abandonada também virou abrigo
Além dos problemas estruturais, as ruínas da ponte passaram a ser ocupadas por pessoas em situação de rua e usuários de drogas.
Durante uma vistoria realizada recentemente no local, foram encontrados dois homens caminhando sobre a estrutura remanescente e um casal instalado sob a ponte. No local também havia colchões, cobertores, papelões, embalagens de alimentos e outros objetos que indicavam permanência prolongada.
Após tomar conhecimento da situação, o Ministério Público Federal (MPF) informou que iria oficiar a Prefeitura de Linhares e o DNIT para buscar medidas que garantam a segurança das pessoas e impeçam novas ocupações na área.
Ponte carrega histórico de acidentes e desabamentos
A história da Ponte Getúlio Vargas é marcada por sucessivos problemas estruturais.
O primeiro desabamento parcial ocorreu em 2009, deixando uma pessoa morta. Dois anos depois, em 2011, um novo colapso comprometeu outra parte da estrutura.
Desde então, parte da antiga ponte permaneceu de pé sobre o Rio Doce, enquanto os trechos que ruíram continuaram espalhados pelo leito e pelas margens do rio.
Neste ano, uma nova inspeção confirmou que a degradação da estrutura havia avançado significativamente, tornando inevitável sua demolição. O relatório técnico também alertou que um eventual novo desabamento poderia atingir a rede de gás natural instalada nas proximidades.
Diante da gravidade da situação, o DNIT declarou estado de emergência, permitindo a contratação imediata dos serviços para a demolição controlada da estrutura e a retirada definitiva dos escombros, encerrando um capítulo que se arrastava havia quase duas décadas em Linhares.










