Falsa audiência convence morador de Marilândia a fazer Pix de R$ 126 mil
Criminoso usou nome e foto de advogado verdadeiro, criou suposto procedimento judicial e manteve vítima em chamadas de voz e vídeo até a transferência do dinheiro

Uma sofisticada fraude envolvendo uma falsa audiência judicial causou um prejuízo de R$ 126 mil a um morador de Marilândia, no Noroeste do Espírito Santo.
O caso aconteceu na quarta-feira (5) e começou quando a vítima recebeu uma mensagem pelo WhatsApp de uma pessoa que se apresentou como um advogado verdadeiro. Para tornar o contato mais convincente, o responsável pela fraude utilizava o nome e a fotografia do profissional.
A partir daí, começou uma encenação cuidadosamente elaborada para fazer o morador acreditar que estava participando de um procedimento judicial legítimo.
Durante a conversa, foram utilizadas expressões próprias do meio jurídico, como “promotoria”, “promotor”, “sala de auditoria”, “auto de processos” e “guia de liberação”.
A vítima também recebeu um suposto número de identificação de processo e até uma imagem de um ambiente semelhante a uma sala de audiências.
Chamadas de voz e vídeo aumentaram aparência de realidade
A fraude não ficou restrita à troca de mensagens.
O morador foi conduzido por sucessivas chamadas de voz e vídeo em grupo e recebeu uma série de orientações durante o contato.
A estratégia teria criado uma situação de urgência e feito a vítima acreditar que precisava seguir os procedimentos apresentados para colaborar com uma diligência judicial.
Em determinado momento, o responsável pelo contato afirmou que nenhum valor estaria sendo cobrado da vítima e que seriam realizadas apenas supostas “validações necessárias” relacionadas ao procedimento.
Na sequência, foi enviado um código Pix “copia e cola”.
Convencido de que estava cumprindo uma etapa do procedimento judicial, o morador realizou uma transferência de R$ 126 mil, às 12h01.
Vítima descobre fraude após transferência
Pouco depois de realizar o Pix, o morador percebeu que havia sido enganado.
Ele entrou imediatamente em contato com o gerente de sua agência bancária para contestar a transferência e solicitar o acionamento do Mecanismo Especial de Devolução (MED), procedimento utilizado pelo sistema financeiro em determinadas situações envolvendo suspeitas de fraude em transações via Pix.
A vítima também procurou o verdadeiro advogado cuja identidade havia sido utilizada durante a abordagem.
Foi então que recebeu a confirmação de que o profissional não havia realizado aquele contato.
Falsa audiência chama atenção
O que diferencia o caso de outras modalidades do chamado golpe do falso advogado é o nível de encenação utilizado para convencer a vítima.
Além de usar a identidade visual de um profissional verdadeiro, o responsável pelo contato empregou linguagem jurídica, apresentou um falso número de processo, enviou imagem semelhante a uma sala de audiência e realizou chamadas de vídeo para reforçar a aparência de que se tratava de um procedimento oficial.




