Empresário de Santa Teresa segue em liberdade mesmo após Justiça decretar prisão
Élcio Edimar Thomazini é acusado de desmatamento de áreas de Mata Atlântica; defesa contesta prisão preventiva e oferece cumprimento de medidas cautelares

O empresário Élcio Edimar Thomazini, de Santa Teresa, alvo de uma ordem de prisão preventiva em processo envolvendo supostos crimes ambientais, permanecia com o mandado pendente de cumprimento na última atualização disponível.
A prisão foi determinada pela Justiça após pedido do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES). Paralelamente, a defesa ingressou com pedido para revogar a medida e permitir que o empresário responda ao processo em liberdade.
Até a última informação divulgada, não havia confirmação oficial do cumprimento da ordem. O MPES informou que acompanha o caso. A existência de mandado pendente, entretanto, não permite afirmar, por si só, que o empresário esteja foragido.
Defesa contesta necessidade da prisão
No pedido apresentado à Justiça, a defesa sustenta que a existência de outros processos ambientais envolvendo o empresário não seria suficiente, isoladamente, para justificar sua prisão preventiva.
Os advogados também argumentam que não existiriam fatos novos e contemporâneos capazes de demonstrar a necessidade do encarceramento.
Entre os argumentos apresentados estão a ausência de risco de fuga ou de obstrução do processo e a possibilidade de aplicação de medidas cautelares diferentes da prisão.
A defesa se colocou à disposição para medidas como comparecimento periódico à Justiça, restrição de acesso à área discutida no processo, proibição de deixar Santa Teresa, entrega do passaporte, impedimento de sair do país e até monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Os argumentos ainda serão analisados no processo.
MPES aponta desmatamento de 1.847 metros quadrados
O processo que levou à decretação da prisão tem origem em intervenções ambientais identificadas em uma propriedade na zona rural de Santa Teresa.
Segundo o MPES, uma fiscalização realizada pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) em dezembro de 2025 identificou a destruição, sem autorização, de três áreas de Mata Atlântica em estágio médio de regeneração.
As áreas teriam 865, 279 e 703 metros quadrados, totalizando 1.847 metros quadrados de vegetação suprimida. Parte das intervenções teria ocorrido em Zona de Preservação Ambiental e Reserva Legal.
O Ministério Público também afirma que houve descumprimento de embargo aplicado pelo Idaf em 2021. Segundo a denúncia, teriam ocorrido plantio de grama em 207 metros quadrados de área embargada e intervenções que dificultariam a regeneração natural da vegetação.
Ministério Público cita outros processos ambientais
Ao solicitar a prisão preventiva, o MPES apresentou à Justiça um histórico envolvendo 15 ações penais relacionadas a supostos crimes ambientais em diferentes áreas de Santa Teresa.
Segundo o Ministério Público, esse conjunto de processos, associado às novas intervenções apontadas pela fiscalização e ao suposto descumprimento do embargo, demonstraria risco de repetição das condutas. A Justiça acolheu o pedido e decretou a prisão preventiva em 9 de setembro.
A decisão também proibiu novas obras, construções, desmatamento, movimentação de terra, jardinagem, exploração econômica ou outras intervenções na área embargada, estabelecendo multa de R$ 100 mil em caso de descumprimento.
A defesa contesta os fundamentos utilizados para justificar a prisão e sustenta que o empresário pode responder ao processo mediante outras medidas cautelares.




