Primavera chega com previsão de mais calor e menos chuva no Norte e Noroeste do ES
Nova estação começa às 21h05 de terça-feira (22); cenário de temperaturas acima da média e chuvas irregulares merece atenção principalmente no campo, em uma das principais regiões agrícolas do Espírito Santo.

A primavera de 2026 começa oficialmente às 21h05 da próxima terça-feira (22) trazendo um cenário que merece atenção dos moradores e, principalmente, dos produtores rurais do Norte e Noroeste do Espírito Santo: tendência de temperaturas acima da média e chuvas irregulares.
As projeções climáticas para o Espírito Santo indicam precipitações abaixo da média em grande parte do território capixaba, com déficit que pode chegar a 50 milímetros em determinadas áreas.
Para municípios como Colatina, Linhares, Baixo Guandu, Pancas, São Gabriel da Palha, Marilândia, Águia Branca, Vila Valério, São Domingos do Norte, Alto Rio Novo, Rio Bananal, Sooretama e São Mateus, a atenção se volta especialmente para a distribuição das chuvas ao longo dos próximos meses.
Isso porque Norte e Noroeste concentram importantes atividades agropecuárias e possuem municípios onde períodos prolongados de calor e pouca chuva podem aumentar significativamente a demanda por água.
Não significa que não vai chover
Um ponto importante é entender o significado da previsão.
A indicação de chuva abaixo da média não significa ausência de temporais ou de períodos chuvosos no Norte e Noroeste.
A primavera é uma estação de transição e, com a elevação das temperaturas, podem ocorrer pancadas fortes e concentradas. Assim, uma região pode terminar determinado período com chuva abaixo da média e, ainda assim, enfrentar episódios de grande volume de água em poucas horas.
É justamente a irregularidade que merece atenção.
Pode chover intensamente durante um curto intervalo e, posteriormente, ocorrer uma sequência maior de dias secos.
Calor preocupa uma região fortemente agrícola
No Norte e Noroeste, o cenário ganha importância adicional por causa do peso da agricultura.
A região concentra produção de café conilon, frutas, pimenta-do-reino e outras culturas, além da pecuária.
Temperaturas mais elevadas aumentam a perda de água do solo e das plantas. Quando isso ocorre simultaneamente a períodos com pouca chuva, cresce a necessidade de irrigação e de acompanhamento das reservas hídricas.
Para o produtor rural, portanto, não importa apenas quanto vai chover, mas principalmente quando e com que regularidade essa chuva chegará.
Uma sequência prolongada de dias quentes e secos pode ter efeitos diferentes de uma estação na qual o mesmo volume de precipitação esteja melhor distribuído.
Termômetros também devem subir
Além das chuvas irregulares, a primavera deverá ser marcada por temperaturas acima da média histórica no Sudeste.
As projeções apontam desvios que podem chegar a aproximadamente 1°C acima da média em determinadas áreas.
No Norte e Noroeste capixaba, onde vários municípios já registram temperaturas elevadas durante os meses mais quentes, essa tendência será um dos pontos importantes para acompanhamento durante a estação.
El Niño também entra no cenário
Outro componente que deverá ser observado é o El Niño, fenômeno relacionado ao aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial.
As projeções apresentadas apontam forte possibilidade de intensificação do fenômeno durante o trimestre de outubro, novembro e dezembro de 2026.
O El Niño influencia a circulação atmosférica em diferentes regiões, mas seus efeitos não são iguais em todos os lugares. Por isso, não é possível atribuir antecipadamente cada período de seca, chuva ou calor no Norte e Noroeste exclusivamente ao fenômeno.
Primavera poderá alternar calor, períodos secos e temporais
A nova estação também marca a aproximação do período em que sistemas responsáveis por grandes volumes de chuva passam a atuar com maior frequência sobre parte do Brasil.
Entre eles está a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS), associada a episódios persistentes de chuva sobre áreas do Sudeste e Centro-Oeste.
Por isso, o cenário previsto para os próximos meses não é simplesmente de “seca”.
A principal característica a ser observada deverá ser o contraste: temperaturas elevadas, períodos com pouca chuva e possibilidade de episódios pontuais de precipitação mais intensa.
Para quem vive em Colatina e nos municípios do Norte e Noroeste do Espírito Santo, especialmente para quem depende diretamente da agricultura e da disponibilidade de água, a primavera de 2026 começa com um recado importante: será preciso acompanhar não apenas a quantidade de chuva, mas a forma como ela estará distribuída ao longo da estação.




