Empresário de Santa Teresa está foragido e já acumula seis mandados de prisão, informa MPES
Élcio Edimar Thomazini, dono da Caravaggio Imóveis, é alvo de processos relacionados principalmente a acusações de crimes ambientais; defesa afirma que se manifestará nos autos

O empresário Élcio Edimar Thomazini, dono da Caravaggio Imóveis, em Santa Teresa, permanece foragido e já possui seis mandados de prisão expedidos contra ele, segundo informação atualizada do Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES). Parte das ordens judiciais está relacionada a processos envolvendo acusações de crimes ambientais no município.
Inicialmente, consulta ao Banco Nacional de Mandados de Prisão (BNMP) havia localizado cinco mandados pendentes. Posteriormente, o MPES informou que o número atual é de seis e afirmou que atua em conjunto com as forças de segurança para auxiliar na localização do empresário.
Entre os processos está uma denúncia relacionada ao Sítio Duca, na região de Alto Santo Antônio. Segundo o Ministério Público, fiscalização ambiental teria identificado desmatamento e construção de platôs em área de amortecimento da Reserva Biológica Augusto Ruschi.
Nesse mesmo caso, o MPES sustenta que teria sido apresentado um documento falso à Secretaria Municipal de Meio Ambiente para obtenção de licença ambiental. A acusação afirma que o pedido indicava finalidade agropecuária, enquanto a intenção seria realizar parcelamento do solo e comercialização de unidades. Um consultor ambiental também figura como réu nesse processo.
Justiça aponta que empresário tinha conhecimento da ordem de prisão
Outro processo está relacionado ao Sítio Projeto Rural. Conforme os autos citados na apuração, Élcio foi autuado em 2021 sob acusação de destruir 1.972 metros quadrados de vegetação nativa secundária da Mata Atlântica sem autorização ambiental.
Em decisão recente, a Justiça considerou que o empresário tinha conhecimento da ordem de prisão e, mesmo assim, não se apresentou. Segundo a decisão reproduzida na apuração, ele deixou de participar de uma audiência marcada para setembro.
Há ainda mandado relacionado a um processo envolvendo a compra de um veículo, no qual o vendedor alega ter recebido um cheque sem fundos, além de outro processo que tramita sob segredo de Justiça.
Polícia diz que empresário passou a se esconder
A Polícia Civil informou que equipes da Delegacia Regional de Santa Teresa, em conjunto com a Polícia Militar, realizaram diligências para cumprir uma das ordens judiciais.
Segundo a corporação, o empresário tomou conhecimento da existência do mandado, fugiu e passou a se esconder, o que impediu o cumprimento da prisão naquele momento. A Polícia Civil acrescentou que, estando os mandados vigentes, a prisão pode ser cumprida por qualquer força de segurança.
O MPES informou ainda que, conforme as informações disponíveis, Élcio não possui passaporte e que denúncias recebidas sobre sua possível localização estão sendo encaminhadas aos órgãos responsáveis para averiguação.
Processos envolvem áreas de Mata Atlântica
Uma das prisões preventivas foi decretada em setembro após pedido do Ministério Público. Nesse processo, Élcio responde, em tese, por três crimes relacionados à destruição de vegetação nativa da Mata Atlântica e por descumprimento de obrigação de proteção ambiental.
Segundo o MPES, fiscalização realizada pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf-ES), em dezembro de 2025, identificou a supressão, sem autorização, de três áreas de Mata Atlântica em estágio médio de regeneração no Sítio Projeto Rural, totalizando 1.847 metros quadrados. A fiscalização também apontou intervenção em área que estava embargada.
O Ministério Público apresentou à Justiça um histórico de ações penais envolvendo acusações de delitos ambientais atribuídos ao empresário em diferentes propriedades rurais de Santa Teresa.
Em decisão anterior que manteve a prisão preventiva, a Justiça também considerou uma fiscalização realizada em junho deste ano, que teria identificado outros 1.594,28 metros quadrados de desmatamento. Segundo a decisão, o conjunto de ações penais atribui ao empresário intervenções que alcançariam 55.913,28 metros quadrados, aproximadamente 5,59 hectares.
Defesa contestou prisão
A defesa de Élcio questionou a prisão preventiva e sustentou, entre outros argumentos, que a existência de vários processos ambientais não seria suficiente, por si só, para justificar a medida. Também argumentou que não haveria risco de fuga ou de obstrução da Justiça e defendeu a adoção de medidas cautelares alternativas.
Entre as possibilidades apresentadas estavam comparecimento periódico à Justiça, tornozeleira eletrônica, restrição para deixar Santa Teresa e proibição de realizar intervenções em áreas embargadas.
A Justiça rejeitou o pedido de liberdade, considerando insuficientes as medidas alternativas diante dos elementos apresentados no processo.




