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Vendas de alimentos crescem até 10,6% no ES e região após proibição das bets

Levantamento da Associação Brasileira de Supermercados aponta aumento no consumo de produtos básicos, como arroz, café e macarrão. Entidade avalia possível relação com a restrição às apostas.

Por Carlos Cavalcante
Jornalista e radialista · Colaborador eventual
· 3 min de leitura · Sem comentários
Vendas de alimentos crescem até 10,6% no ES e região após proibição das bets

O dinheiro que antes era destinado às apostas pela internet pode estar voltando para as compras do dia a dia das famílias brasileiras. Um levantamento da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) identificou crescimento nas vendas de alimentos nas semanas seguintes à medida que proibiu as chamadas bets no país.

Na região que reúne Espírito Santo, Minas Gerais e interior do Rio de Janeiro, as vendas nos estabelecimentos do setor alimentício aumentaram 10,6% entre os dias 5 e 11 de outubro de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

O resultado colocou esse agrupamento entre os destaques nacionais, empatado com a região Sul, que também registrou crescimento de 10,6%.

Na semana seguinte, entre 12 e 18 de outubro, as vendas continuaram em alta, com avanço de 7,1%. Nesse período, o resultado ficou atrás apenas da região Sul, que apresentou crescimento de 9%.

Dinheiro das apostas pode ter sido direcionado à alimentação

A Abras relaciona o comportamento das vendas à Medida Provisória 1.394/2026, publicada em 25 de setembro, que, segundo o levantamento apresentado, proibiu as apostas no Brasil.

A avaliação da entidade é de que a restrição pode ter provocado uma mudança na maneira como parte das famílias utiliza seus recursos financeiros.

Com menos dinheiro destinado aos jogos, uma parcela dos consumidores pode ter ampliado os gastos com alimentação e outros produtos de primeira necessidade.

A associação, entretanto, trabalha com essa possibilidade como uma explicação para o crescimento observado. Os números, isoladamente, não comprovam que a proibição das apostas tenha sido a única responsável pelo aumento das vendas.

Arroz, óleo, café e macarrão estão entre os destaques

O levantamento aponta que os produtos essenciais tiveram participação importante no crescimento do consumo.

Entre os alimentos destacados estão arroz, óleo, macarrão e café, itens presentes na rotina de milhões de famílias.

O movimento não ficou restrito aos supermercados tradicionais. Atacarejos, mercearias e outros estabelecimentos do varejo alimentar também registraram aumento no volume comercializado, conforme a Abras.

No cenário nacional, as vendas cresceram 6,5% na primeira semana de outubro analisada e 6,3% na semana seguinte, sempre em comparação com os períodos equivalentes de 2025.

Movimentações por Pix também apresentaram queda

Outro dado observado pela associação envolve as transferências financeiras realizadas por meio do Pix.

Com base em informações públicas do Banco Central, a Abras aponta uma redução de 10% no número de transações imediatamente após a entrada em vigor da medida que restringiu as apostas.

Posteriormente, essa queda passou para 7%.

Para a entidade, a mudança pode indicar uma redução na circulação de recursos destinados aos jogos e um possível redirecionamento desse dinheiro para o comércio.

Apesar dessa interpretação, os dados apresentados não permitem identificar exatamente quanto deixou de ser gasto com apostas e passou a ser utilizado na compra de alimentos.

Crescimento específico do Espírito Santo não foi divulgado

Embora o Espírito Santo esteja incluído entre as regiões que apresentaram resultados positivos, o levantamento divulgado reúne os dados capixabas com os de Minas Gerais e do interior do Rio de Janeiro.

Por isso, não é possível afirmar que as vendas nos supermercados do Espírito Santo, isoladamente, cresceram 10,6%.

Os percentuais representam o desempenho conjunto dos três mercados analisados.

A Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) foi procurada pela reportagem que divulgou originalmente os dados, mas não apresentou manifestação sobre os possíveis reflexos da restrição às apostas no comércio capixaba.

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