Presidente Estadual da Associação de Arteterapia, a colatinense Luciana Silvestre, fala sobre o Dia Nacional do Arteterapeuta

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Umas das principais referências da Arteterapia no Estado, a colatinense Luciana Silvestre Batista, é a atual Presidente da Associação de Arteterapia do Estado do Espírito Santo (AARTES) credenciada à União Brasileira de Associações de Arteterapia (UBAAT). Atua como Arteterapeuta na APAE Colatina atendendo aos usuários do Atendimento Educacional Especializado, Projeto Mercado de Trabalho e Projeto Melhor Qualidade de vida. São assistidas pessoas de diversas idades, como crianças, adolescentes, jovens e adultos. Realiza também atendimento particular.

Luciana Silvestre Batista em entrevista ao Portal de Notícias ES-FALA dialoga sobre os aspectos gerais da Arteterapia.

ES-FALA: efetivamente na história, quando a Arteterapia começou a ser utilizada para tratar as pessoas?

Luciana — As primeiras pesquisas com relação à utilização da arte em diversos setores ocorreram em 1876, Max Simon, Psiquiatra, publicou pesquisas sobre trabalhos artísticos de doentes mentais. Fez a classificação de suas patologias de acordo com suas produções artísticas.

Na década de 1920, Jung utiliza da arte ao pedir a seus pacientes que desenhem sonhos, conflitos, etc. Para ele, são expressões do inconsciente individual ou do inconsciente coletivo. Jung passou a usar as técnicas de desenhos livres para facilitar a relação com o paciente.

ES-FALA: a senhora é a atual Presidente da Associação de Arteterapia do Estado do Espírito Santo. Quando teve o início da Arteterapia no Estado?

Luciana — Em 2001 a Arteterapia chega ao Estado do Espírito Santo tendo como coordenadora a Profª. Me. Glicia Manso Paganotto. Em relação à associação a AARTES é uma Associação sem fins lucrativos que existe desde agosto de 2001 sendo a 3ª do país, uma das pioneiras. A associação Tem como missão zelar pelo conhecimento da Arteterapia observando sua correta utilização. No Espírito Santo já ocorre concurso público para contração deste profissional.

ES-FALA. As pessoas confundem Arteterapia com trabalhos artísticos, manuais. Mas segundo profissionais vai muito além. Então como “funciona” esse trabalho, ou seja, em que está baseado?

Luciana — A Arteterapia baseia-se na percepção de que o processo criativo durante a produção utilizando ferramentas como desenho, pintura, modelagem, colagem dentre outros é terapêutico, promovendo uma melhora na qualidade de vida da pessoa. Facilita o contato com o poder criador, permitindo trazer para o exterior o que ocorre no seu íntimo,  levando a refletir, dialogar e elaborar. A produção no contexto arteterapêutico, leva o indivíduo à manifestação das emoções, auxiliando-o a conhecer seus anseios e necessidades.

O trabalho no contexto arteterapêutico, possibilita a expressão das emoções mais profundas, propiciando à pessoa ativar seus recursos internos, descobrindo e resgatando as suas potencialidades. Em contato com os materiais e técnicas apropriadas, o indivíduo se reconhece em suas criações, de forma livre e desprovida de exigências estéticas do produto final.

ES-FALA – E quais os recursos que são utilizados na hora de abordar o paciente?

Luciana – A Arteterapia utiliza-se das mais variadas modalidades expressivas, como a música, a dança, o teatro e as representações plásticas como pintura, modelagem, desenho, gravura, máscaras e vários outros. Esses recursos possibilitam à pessoa se reconhecer nas imagens que produz, ajuda na ordenação das ideias dando forma aos pensamentos promovendo um diálogo interno entre o inconsciente e consciente.

Por trazer a proposta da criação espontânea, a produção no processo arteterapêutico promove o autoconhecimento, melhora a autoestima, desperta o indivíduo para uma vida mais criativa e participativa. É importante ressaltar que durante as sessões, a pessoa amplia sua criatividade, torna-se mais flexível, conscientiza-se que a vida passa por mudanças constantes, passa a valorizar os sentimentos positivos.

ES-FALA – Tem um público específico?

Luciana – Os Arteterapêutas trabalham com pessoas de todas as idades, famílias, grupos e comunidades. Oferecem seus serviços individuais e atuam como parte de equipes profissionais, em contextos que incluem saúde mental, reabilitação, instituições médicas, centros de recuperação, hospitais, ateliês e prática privada atuando assim na prevenção, na promoção e na reabilitação da saúde.

ES-FALA – Quais as ciências que compõem base de aprendizado da arteterapia ?

Luciana – A formação em Arteterapia compreende um material teórico e metodológico próprios. Sua base origina-se no conhecimento da Psicologia, Arte, Criatividade, Educação, Filosofia, Antropologia e Sociologia. A formação propicia habilidades e competências para que atue em equipes multidisciplinares.

Para ser um profissional Arteterapeuta é necessário ter o terceiro grau completo, cursar a Pós-Graduação que siga os parâmetros curriculares estabelecidos pela União Brasileira de Associações de Arteterapia (UBAAT) e posteriormente obter o registro profissional através da Associação Estadual onde reside.

ES-FALA – É uma profissão reconhecida juridicamente e tecnicamente?

Luciana –  Sim, a Arteterapia é reconhecida na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO)., esse documento é que reconhece, nomeia e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. Desde 27 de março de 2017 a Arteterapia está incluída oficialmente, através da portaria 849, nas Práticas Integrativas de Saúde no Sistema Único de Saúde – SUS.

ES-FALA – Existe curso de Arteterapia no Espírito Santo?

Luciana – No estado o Instituto Fênix oferece o curso de Pós-graduação em Arteterapia que atende as exigências do MEC. É reconhecido pela da União Brasileira das Associações de Arteterapia (UBAAT) e Associação de Arteterapia do Espírito Santo (AARTES).

Luciana Silvestre Batista é Licenciada em Pedagogia; Pós-Graduação “Lato Sensu” em Arteterapia; Pós-Graduação “Lato Sensu” em Saúde Pública com ênfase em saúde mental, álcool e outras drogas; Pós-Graduanda em Yoga. Tem artigo publicado no livro Intervenções Clínicas em Arteterapia (WAK Editora) – cujo título é “Arteterapia Recurso Terapêutico na Adolescência e na Terceira Idade”

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