Funcionários dos Correios em Colatina podem entrar em greve

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Os Correios em Colatina poderão entrar em greve a meia noite do dia 18 de agosto. Os motivos que poderão levar os funcionários a adesão do movimento grevista são as retiradas de direitos adquiridos em acordos coletivos que representam conquistas de anos de lutas e a privatização da estatal.

Segundo um funcionário de carreira dos Correios em Colatina, a anos que a classe vem abrindo mão de aumentos salariais maiores em detrimento de benefícios como tickets, percentual de férias e outros que foram conquistados ao longo dos anos. “Nós falamos entre a gente que temos o menor salário de todas as estatais do Governo”. Disse a fonte. 

Outro motivo do movimento grevista é uma possível privatização dos Correios, mas segundo informações internas existe uma probabilidade baixa de ocorrer e ser aprovado pelo Congresso Nacional. “Baixas são as chances dos funcionários dos Correios de Colatina aderirem 100% a greve, a expectativa é que poucos participam do movimento grevista. Dos 49 funcionários em torno de 4 a 5 poderão aderir, não temos uma cultura de greve nos Correios de Colatina, mesmo sabendo que muito dos nossos direitos adquiridos foram conquistados através das graves”. Revela o funcionário de carreira.  

Em nível nacional ocorreu uma assembleia nesta terça-feira (4), onde os trabalhadores dos Correios decidiram pela manutenção do estado de greve . Uma nova assembleia está marcada para o dia 17, podendo ser deliberada greve a partir do dia 18. Os trabalhadores são contrários à privatização da empresa e lutam pela manutenção do Acordo Coletivo aprovado em 2019, como destaca o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Prestadoras de Serviços Postais, Telegráficos e Similares do Espírito Santo (Sintect-ES), Antônio José Alves Braga. 

Antônio afirma que nunca na história dos trabalhadores dos Correios seus direitos foram tão ameaçados. “Nunca passamos por um momento tão difícil. Sempre se falou em privatização, mas não de tirar todos os direitos, destruindo o Acordo Coletivo. É uma destruição de todos nosso direitos conquistados ao longo de nossa história”, diz o presidente do Sintect-ES.

Ele relata que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) havia aprovado a vigência do Acordo Coletivo por dois anos. Entretanto, uma liminar do ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Tóffoli, suspendeu a decisão.

“A empresa diz agora que somente a CLT [Consolidação das Leis do Trabalho] determina nossos direitos, tirando benefícios conquistados no Acordo, como o auxílio para trabalhadores que têm dependentes com deficiência”, informa. Antônio destaca que, entre os dias 14 e 21 de agosto, haverá um julgamento no STF sobre a manutenção ou não da liminar do Dias Tóffoli.

Segundo ele, os Correios também dobraram a mensalidade do plano de saúde e aumentaram a co-participação, o que tem feito com que muitos trabalhadores não tenham condições de pagar. Além disso, afirma, tem sido registado descredenciamento de médicos e hospitais.

Para o presidente do Sintect-ES, o Governo Bolsonaro tem jogado a sociedade contra os trabalhadores dos Correios para facilitar a privatização. “Antes o ‘gabinete do ódio’ buscava manchar a imagem da empresa. Agora, o alvo são os trabalhadores, com o discurso de que a população banca regalias, como se os Correios não fossem uma empresa lucrativa, que se mantêm por meio dos serviços prestados”, destaca Antônio, que relata que um dos benefícios que o governo tem dito que é regalia é o chamado Vale Peru. Trata-se, segundo ele, de um 13º do vale-alimentação, no valor de cerca de R$ 900,00.

“Falam que temos regalias, mas o salário nos Correios é o mais baixo entre o de trabalhadores das estatais. E alguns benefícios foram agregados ao Acordo para tentar compensar o fato de não termos, muitas vezes, um reajuste salarial justo”, aponta. Antênio salienta que os Correios têm tido um lucro maior durante a pandemia do coronavírus, em virtude do aumento de serviços de e-commerce.

Foto ilustrativa captada nas redes sociais

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