Ex-chefe de Contabilidade é condenada por desviar mais de R$ 861 mil do auxílio aluguel em cidade do Norte do ES

Ex-servidora de Nova Venécia confessou ter usado recursos destinados a famílias em situação de vulnerabilidade para quitar dívidas pessoais; pena é de quase 13 anos de prisão

Uma ex-servidora da Prefeitura de Nova Venécia, no Norte do Espírito Santo, foi condenada a 12 anos, 11 meses e 16 dias de prisão em regime fechado por desviar mais de R$ 861 mil de recursos públicos destinados ao programa de auxílio aluguel do município. A sentença foi proferida pelo juiz Ivo Nascimento Barbosa, da 2ª Vara Criminal de Nova Venécia, na última terça-feira (2).

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A condenada é Marcilene da Rocha Bungenstab, que atuava como chefe de Contabilidade da Secretaria Municipal de Assistência Social. Além da pena de prisão, ela também foi condenada a ressarcir aos cofres públicos o valor de R$ 861.755,25, montante que, segundo a investigação, foi desviado ao longo de sete anos.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), os desvios ocorreram entre 2013 e novembro de 2020. Utilizando seu acesso aos sistemas financeiros da prefeitura, a ex-servidora teria inserido dados falsos e realizado transferências indevidas para uma conta bancária em nome de seu marido.

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Os recursos eram destinados ao programa de aluguel social, benefício voltado ao atendimento de famílias sem moradia ou em situação de vulnerabilidade social. Conforme a decisão judicial, Marcilene manipulava os sistemas contábeis da administração municipal para gerar pagamentos fictícios e, posteriormente, direcionava os valores para a conta utilizada pelo casal.

Durante o processo, a ex-servidora confessou o esquema. Em interrogatório, ela admitiu que realizava lançamentos em duplicidade para criar saldo disponível e transferia os recursos para quitar dívidas pessoais. Também reconheceu que inseria informações falsas nos sistemas para dificultar a identificação das irregularidades durante a prestação de contas.

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Na sentença, o magistrado destacou a gravidade da conduta, especialmente pelo fato de os crimes terem sido praticados com recursos destinados à assistência social, área considerada sensível, e durante o período da pandemia da Covid-19.

O marido de Marcilene também foi investigado e respondeu ao processo. No entanto, o juiz concluiu que não havia provas suficientes para demonstrar que ele tinha conhecimento ou participação no esquema criminoso, determinando sua absolvição.

A reportagem não conseguiu localizar a defesa de Marcilene da Rocha Bungenstab. O espaço permanece aberto para manifestação.

Prefeitura se manifesta

Em nota, a Prefeitura de Nova Venécia informou que a Secretaria Municipal de Assistência Social funciona como Unidade Gestora, possuindo CNPJ próprio, cabendo ao gestor da pasta a responsabilidade pela fiscalização e execução dos atos administrativos.

O prefeito Mário Sérgio Lubiana também destacou que não participou dos procedimentos investigados e que a própria apuração judicial concluiu que ele não tinha conhecimento do esquema de desvios identificado na secretaria.

VEJA A NOTA COMPLETA

A Prefeitura de Nova Venécia informa que a Secretaria Municipal de Assistência Social é uma Unidade Gestora (UG) dotada de CNPJ próprio, possuindo autonomia administrativa e financeira, cabendo ao gestor da pasta a responsabilidade pela execução e fiscalização dos atos praticados em sua estrutura administrativa.

Em relação aos fatos apurados pela Justiça na época e divulgados na recente decisão judicial envolvendo uma ex-servidora da Secretaria Municipal de Assistência Social, o prefeito Mário Sérgio Lubiana esclarece que não exercia qualquer participação operacional nos procedimentos que foram objeto da investigação e que a própria apuração judicial concluiu não haver qualquer evidência de seu conhecimento ou envolvimento nos fatos.

Conforme consta nos autos, a ex-servidora foi devidamente ouvida pelas autoridades competentes, prestou esclarecimentos e assumiu a responsabilidade pelos atos praticados, ficando comprovado durante a instrução processual que outras pessoas não tinham conhecimento do fato investigado.

O prefeito destaca seu respeito às instituições e às decisões do Poder Judiciário, ressaltando que todas as informações necessárias foram disponibilizadas aos órgãos de controle e investigação ao longo da apuração dos fatos.

A Administração Municipal permanece à disposição para prestar quaisquer esclarecimentos adicionais e colaborar integralmente com a Justiça e os órgãos de fiscalização sempre que necessário.

Por fim, o prefeito reafirma que segue à disposição, primando pela transparência, a correta aplicação dos recursos públicos e o fortalecimento dos mecanismos de controle interno, destacando que cada cidadão deve responder individualmente por seus atos, cabendo à ex-servidora responder pelas condutas que lhe foram atribuídas e reconhecidas no processo judicial.

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