Modelo trans colatinense faz sucesso ao posar nua em vários países

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Quando os sonhos são grandes, até o mundo fica pequeno diante dos objetivos. Sonhar, correr atrás e lutar para conquistar tudo o que se almeja são apenas detalhes da história de vida da modelo colatinense Sâmella Vinter. Hoje, ela se descreve como uma mulher completa e realizada, mas que passou por muitos desafios, inclusive, pelo preconceito de ser uma pessoa transgênero.

Sâmella é natural de Colatina, ex-moradora do bairro Adélia Giuberti. Ela já morou em cidades na Itália, Espanha, Reino Unido, Bélgica, Holanda, França e em vários outros países. Para ter a fisionomia e o corpo que chama a atenção das mais diversas revistas, ela revela que o investimento é quase milionário.

Morando atualmente em São Paulo, Sâmella contou sua história. Depois de deixar Colatina, ela morou por um tempo em Vitória. Mas foi no exterior que ela conquistou espaços almejados por muitas modelos, chegando a estampar capas de revistas famosas em diversos países. Em um de seus trabalhos, ela esteve em uma posição antes ocupada por Roberta Close, que foi a primeira transgênero a se tornar capa da revista Sexy.

Sâmella viveu os primeiros anos de vida em Colatina, mas o desejo de crescer e realizar os sonhos fez com que ela se mudasse para Vitória, de onde surgiram as primeiras oportunidades da carreira. Da Capital do Espírito Santo, apareceram chances de brilhar fora do país. Ela aceitou, mas precisou lidar com alguns problemas. 

“Minha carreira começou um pouco complicada, pois antes de eu fazer a minha transição de gênero, as pessoas eram muito preconceituosas e não davam muitos trabalhos. Fui para o exterior, passei por muitas humilhações e foram muitas noites de sono perdidas. Mas conquistei muito e ainda tenho mais o que conquistar”, relata.

Bullying

A modelo conta que a principal motivação para buscar novos caminhos foi o fato de sempre almejar algo maior para sua carreira. Para ela, lá no início, tudo era pequeno diante do que sonhava. 

“Na minha cidade, eu recebia muita discriminação e havia muito bullying. O único apoio que tive foi da minha família. Colatina era uma cidade pequena que já não me comportava. Fui para Vitória, que também passou a não me comportar. Depois fui para o exterior, onde morei em vários locais.”

No currículo, Sâmella carrega diversos trabalhos internacionais e capas de revistas de grande sucesso no Brasil e no exterior. Entre elas, estão as capas das revistas Playboy de Portugal, Chile e México. Ela ainda estampou a revista Marie Claire, dos Estados Unidos, em 2017, e foi capa da Revista Sexy, em 2020. “Fui a segunda transgênero a se tornar capa da revista. Antes, era apenas a Roberta Close”, se orgulha em dizer.

Cirurgia de mudança de sexo

A capixaba não tem medo de investir alto para buscar o corpo que considera ideal para o seu trabalho e sua autoestima. Sâmella já passou por diversas cirurgias plásticas, implantes de silicone e vários procedimentos necessários para deixar as características masculinas. 

“Fiz muita coisa no exterior e, sem calcular o valor de passagens e hotéis, já investiu cerca de R$ 800 mil em procedimentos estéticos”, revela.

Mesmo sendo um valor elevado, a modelo afirma que vale a pena, pois muitas oportunidades apareceram após a cirurgia de mudança de sexo  – que fez na Tailândia em 2017 – e a mudança oficial de nome. 

“Apareceram mais oportunidades. Apesar de ainda existir uma certa discriminação com o transgênero, apesar da minha beleza ser toda feminina, ainda há um certo preconceito em todo lugar. Já cheguei a pedir empregos ‘normais’ e as pessoas fecharam as portas para mim. Foi aí que me dediquei ao mundo da moda e das passarelas”, conta.

Chegar onde está e permanecer em busca de objetivos ainda mais altos é sinônimo de luta para Sâmella, principalmente contra o preconceito. Segundo ela, no Brasil ainda há uma cultura de não aceitar as diferenças do outro. 

“Lá fora as pessoas vivem mais por elas e não dão muita importância por aquilo que você é, pelo que você faz ou pelo que você fala. No Brasil, as cabeças são mais fechadas para isso, uma mentalidade que não tem muita aceitação. Ainda tem muito preconceito. As pessoas não sabem respeitar a sexualidade ou o comportamento de uma pessoa, que no passado foi alguém e hoje é outra pessoa”, comenta, lembrando que ainda há pessoas que a conheceram no passado e insistem em chamá-la pelo nome masculino.

Sâmella é formada em Enfermagem, mas é como modelo que se sente realizada. Ela lembra todo o processo que viveu para a mudança de sexo e afirma que se sente, de fato, uma nova pessoa. 

“Foram dois anos de psiquiatria, pela qual eu tenho residência espanhola e fiz em Madrid. Também precisei fazer tratamento hormonal para combater os hormônios masculinos, pois eu tinha que ter esse laudo para apresentar na Tailândia e ver se realmente eu estava preparada para fazer essa cirurgia de mudança de sexo. Lá eu tive que apresentar os laudos para ser aprovada e se eu teria capacidade de ser uma mulher completa, como eu sou hoje: realizada com meu corpo, vendo que sou uma mulher de nome, mente e espírito”, conta. 

O trabalho não para e, mesmo diante da pandemia da covid-19, com todos os cuidados necessários, Sâmella continua fazendo o que mais gosta e já prepara novidades para os próximos meses.

“Vou focar nos meus objetivos e ainda vou estampar muitas capas de revista neste ano. Acabo de assinar contrato com a Sexy para fazer o recheio da revista do mês de maio na minha versão loira. Depois, vem aí a primeira edição das Coelhinhas do Brasil. Tenho muitos projetos para levantar essa bandeira”, conta.

Mesmo tendo conquistado o Brasil e diversos países do mundo, Sâmella não esquece as origens e sempre que possível, visita os familiares que continuam morando em Colatina. 

“Meu pai, minha mãe e meus dois irmãos estão lá e todo mundo me espera de braços abertos. Tem 1 ano e 3 meses que não vou ao Espírito Santo, mas em breve estarei por aí revendo amigos e familiares”, finaliza.

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