Operários resgatados de trabalho escravo pelo MPE estão em um hotel de Colatina

Uma operação conjunta do Ministério do Trabalho, da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público do Trabalho (MPT) resgatou doze trabalhadores em situação análoga à escravidão nos bairros Rúbia e Altoé, em Nova Venécia, nesta quarta-feira (25). Nos locais, os fiscais constataram que os homens viviam em alojamentos precários, sem acesso à água potável e alimentação. Além disso, alguns não possuíam carteira de trabalho assinada.
A operação, que envolveu ao menos 15 agentes do Ministério do Trabalho, da PF e do MPT, teve início após uma denúncia anônima. Os trabalhadores teriam sido contratados por uma empresa para atuar na construção de casas populares no município.

ALGUNS TRABALHADORES DESISTIRAM

Em uma casa no bairro Rúbia, oito homens foram encontrados. Eles relataram que doze trabalhadores residiam no local, mas quatro deles desistiram devido às condições precárias e foram embora para Guarapari. Um ajudante de pedreiro, de 26 anos, que não foi identificado, relatou que os contratantes haviam prometido aos trabalhadores um salário diário de R$ 100 e comida, mas, segundo ele, nada foi cumprido.
“Teve certo tempo que colocaram a gente em outro alojamento, não pagaram a dona da casa e nós fomos despejados de lá. Aí, tivemos que morar dentro das casas que nós mesmos estávamos construindo. Essas casas estavam inacabadas, botamos cortina e madeira para fazer de porta, chegamos a comer pão com água puro. Já tive que tirar dinheiro meu e pedir aos outros para comprar comida. Também estávamos dormindo no colchão, mas no chão puro”, disse o ajudante de pedreiro.

RESPONSABILIDADE

Em outra casa no bairro Altoé, os fiscais encontraram quatro homens vivendo nas mesmas condições precárias. Segundo o Procurador-Chefe do Ministério Público do Trabalho do Espírito Santo (MPT-ES), Estanislau Tallon Bozi, após o resgate, o foco da operação é identificar os responsáveis pela obra e pela contratação dos trabalhadores.
“Houve processo licitatório e essa empresa ganhou. Agora temos que ver a legalidade desse processo todo”, comentou o procurador.
Os representantes da empresa responsável pela obra foram notificados e convocados a comparecerem na Unidade do MPT, em Colatina, nesta quinta-feira(26) para responder às denúncias.
Os trabalhadores foram encaminhados para um hotel em Colatina onde aguardam a apuração por parte do Ministério Público do Trabalho, dos valores e pagamentos a que eles têm direito.

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