Documentos oficiais revelam alto nível de contaminação de alimentos na Bacia do Rio Doce

Um conjunto de documentos oficiais recentemente divulgados lança luz sobre uma preocupante situação de contaminação de alimentos ao longo da Bacia do Rio Doce, associada ao desastre ambiental envolvendo a Samarco/Vale-BHP em 2015. Segundo relatórios oficiais, elementos lesivos à saúde humana, como bário, boro, chumbo, cianeto, cobre, cromo VI, magnésio, manganês, metilmercúrio, níquel, PCBs, potássio, titânio e zinco, foram identificados em pescados, frutas, legumes, ovos, carnes e vísceras animais, destinados à alimentação.

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Três documentos, incluindo a Nota Técnica nº 21/2023-DSAST/SVSA/MS do Ministério da Saúde, lançada no início de novembro, e os relatórios número 58 e 59 da Aecom do Brasil, perito judicial do caso Samarco/Vale-BHP desde março de 2020, destacam a necessidade de ampla divulgação e alerta à população sobre a elevada contaminação dos alimentos e os riscos que essa situação representa para a saúde.

Um veículo de comunicação da Grande Vitória teve acesso a esses documentos, que têm sido compartilhados entre grupos de afetados e pesquisadores ligados ao caso. Eles apontam a urgência de informar produtores e consumidores sobre a periculosidade do consumo desses alimentos.

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A nota técnica conjunta do Ministério da Saúde, Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Secretarias de Saúde do Espírito Santo e Minas Gerais foi uma resposta a uma solicitação do Ministério do Meio Ambiente e destaca dados provenientes do Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática, realizado pela Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) por meio da Fundação Espírito-Santense de Tecnologia (Fest). Este programa envolve cerca de 500 pesquisadores de diversas instituições de pesquisa pelo país.

A pesquisa, iniciada em 2018 e financiada pela Fundação Renova, destaca a persistente contaminação dos ambientes aquáticos na região, reforçando a ligação direta com o desastre da Barragem de Fundão em 2015. Apesar de obstáculos e tentativas de interrupção por parte da Renova, decisões judiciais têm assegurado a continuidade desses estudos.

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Nota técnica alerta para risco sanitário em pescados da Bacia do Rio Doce; adoção de medidas urgentes é recomendada

A nota técnica lançada destaca que os resultados das análises realizadas revelam concentrações alarmantes de contaminantes em pescados coletados da área monitorada pelo PMBA (Programa de Monitoramento da Biodiversidade Aquática), compreendendo zonas do rio, manguezais e mar. Estas concentrações ultrapassam os limites máximos aceitáveis, evidenciando um risco sanitário que demanda atenção imediata, especialmente para a saúde daqueles que consomem esses alimentos.

Para enfrentar este cenário preocupante e proteger a saúde da população que consome esses pescados, a nota técnica recomenda a implementação de medidas abrangentes. Essas medidas incluem a estruturação e adoção de ações como a comunicação de risco, segurança alimentar e nutricional, além da vigilância e assistência à saúde. A operacionalização dessas ações deve ser articulada entre os órgãos federais, estaduais e municipais, por meio da formação de Grupos de Trabalho específicos.

A urgência na implementação destas ações é enfatizada para lidar com a situação crítica identificada nos pescados provenientes das áreas monitoradas, visando garantir a segurança e saúde da população que depende desses alimentos.

Riscos

O extenso relatório, com quase 600 páginas, fornece detalhes minuciosos sobre a segurança alimentar de mais de cem itens, considerando diferentes níveis de consumo e grupos etários. De maneira resumida, concluiu-se que verduras, como alface, almeirão, couve e mostarda, assim como o mel de abelhas, estão dentro dos padrões seguros para o consumo humano.

No entanto, a preocupação com a segurança alimentar se concentra em frutas, legumes, grãos, ovos, carnes e vísceras, especialmente nos dois maiores níveis de consumo:

Para os consumidores de alto nível, há alertas quanto ao consumo de frutas, legumes, raízes, grãos, leite, ovos, carnes e vísceras, devido à presença de uma gama de metais nocivos como bário, chumbo, cianeto, cobre, magnésio, manganês, níquel, potássio, titânio, entre outros.

Já para os consumidores de nível médio, a atenção se volta para frutas, raízes, grãos, leite e carnes, onde há identificação de metais preocupantes como chumbo, cianeto, cobre, magnésio, manganês, níquel, potássio e titânio.

Essas descobertas detalhadas no relatório ressaltam a necessidade de um olhar criterioso sobre o consumo desses alimentos e a implementação de medidas que garantam a segurança alimentar, especialmente para os consumidores em níveis mais elevados.

ES FALA: informação Século Diário.

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