Rio Doce: ação civil pública contra Fundação Renova, Samarco, Vale e BHP Billiton por violação de direitos das mulheres é ajuizada
As instituições de Justiça envolvidas no caso Samarco – Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Defensoria Pública da União (DPU), Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) e Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo (DPES) – ingressaram com uma ação civil pública perante […]

As instituições de Justiça envolvidas no caso Samarco – Ministério Público Federal (MPF), Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), Ministério Público do Espírito Santo (MPES), Defensoria Pública da União (DPU), Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) e Defensoria Pública do Estado do Espírito Santo (DPES) – ingressaram com uma ação civil pública perante a 4ª Vara Federal de Belo Horizonte. A ação tem como alvo a Fundação Renova, a Samarco, a Vale e a BHP Billiton, visando a responsabilização dessas entidades pelos danos causados às mulheres atingidas pelo processo de reparação de danos decorrentes do rompimento da barragem de Fundão, ocorrido em 5 de novembro de 2015.
Entre os pedidos apresentados à Justiça, destaca-se a solicitação de pagamento solidário, pelas empresas e pela fundação, de uma indenização mínima de R$ 135.552,00 para cada mulher atingida, referente aos danos materiais causados pela violação sistemática dos direitos humanos. Além disso, é solicitado o pagamento de, pelo menos, R$ 36 mil por danos morais sofridos e uma indenização de, no mínimo, R$ 3,6 bilhões pelos danos morais coletivos gerados.
A ação civil pública, fundamentada em uma perspectiva de combate à violência de gênero, demonstra, por meio de relatórios e documentos, que as mulheres foram invisibilizadas e prejudicadas por diversas violações de direitos empreendidas pelas empresas e executadas pela Fundação Renova durante o cadastramento e o processo de reparação de danos. O protocolo para julgamento com perspectiva de gênero, formulado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e obrigatório desde 14 de março de 2023, serve de base para a ação.
Um relatório sobre a situação das mulheres atingidas pelo desastre no estado do Espírito Santo, elaborado pela Defensoria Pública e anexado à ação, aponta a falta de integração entre as iniciativas de reparação e a rede de políticas públicas de atendimento à mulher. Além disso, destaca a inexistência de mesas de diálogo compostas integralmente por mulheres e a exclusão de atividades laborativas típicas de mulheres da matriz de danos.
De acordo com dados fornecidos pela Fundação Renova, mesmo com um cadastro integrado realizado pela própria fundação, com quantitativo semelhante entre homens e mulheres, apenas 39% das pessoas entrevistadas eram do gênero feminino. Além disso, apenas 34% das mulheres foram elencadas como responsáveis econômicas pelo lar. A ação ressalta a importância do cadastro, que representa a porta de entrada para os 41 programas de reparação ambiental e socioeconômica da Fundação Renova. A ausência de participação das mulheres na coleta de dados trouxe efeitos danosos e excludentes para a realidade dessas mulheres antes e depois do desastre.
A utilização, pela Fundação Renova, de um modelo de família patriarcal como único tipo possível foi apontada como base para diversas violações de direitos. Isso gerou inúmeros problemas para as mulheres, como dificuldade de acesso aos seus dados pessoais e obstáculos para corrigir dados incorretos, condicionando tais atos à autorização de seus maridos. Esse procedimento remete ao arcaico Código Civil de 1916, considerando, na prática, as mulheres incapazes de exercerem os atos da vida civil sem a supervisão de um homem.
A ação também menciona o aumento da sobrecarga doméstica, conflitos familiares e problemas de saúde mental dos atingidos, com base em um relatório da Fundação Getúlio Vargas (FGV) que revela tentativas ou intenções de suicídio associadas à sobrecarga doméstica. Dos 154 casos relatados sobre questões de saúde mental, 71,4% também informaram problemas de sobrecarga doméstica, muitos deles associados ao desenvolvimento de doenças mentais como a depressão.
Reivindicações
A ação afirma que o processo de reparação do desastre do rio Doce tem reproduzido e aprofundado violências de gênero, reivindicando que o Poder Judiciário corrija o rumo tomado até agora. Destaca a necessidade de ações afirmativas com recortes de gênero e um olhar atento às interseccionalidades, especialmente em relação às mulheres negras, indígenas e de comunidades tradicionais, como as quilombolas.
As instituições que assinam a ação solicitam que as empresas e a Fundação Renova promovam, emergencialmente, a atualização, revisão e correção do cadastro de todas as mulheres cadastradas ou com solicitações pendentes, permitindo a inclusão ou retificação de informações necessárias para a elegibilidade ao Auxílio Financeiro Emergencial (AFE), ao Programa de Indenização Mediada (PIM) e ao Sistema Indenizatório Simplificado (Novel). Também é solicitado que as empresas apresentem todas as manifestações formalizadas na Ouvidoria da Fundação Renova e que realizem o pagamento integral, inclusive retroativo e atualizado, de todas as verbas devidas e não recebidas pelas mulheres atingidas.
O QUE DIZ A VALE
A Vale informou, em resposta a notícias na mídia sobre eventual ação judicial movida pelo Ministério Público Federal (MPF) contra companhia, BHP e sua joint-venture Samarco com pedido de indenização de R$ 3,6 bilhões por danos morais coletivos, que não foi notificada e que irá apresentar seus argumentos ao juízo competente em momento oportuno.
A mineradora reforçou que o processo de reparação de danos decorrentes da barragem de Fundão, em 2015, é conduzido pela Fundação Renova em linha com os compromissos firmados pelas companhias junto às autoridades brasileiras.
Por fim, a mineradora disse que juntamente com Samarco, BHP, instituições de justiça e representantes do poder público “segue comprometida com as negociações por um acordo de caráter definitivo, que garanta reparação justa e integral às pessoas afetadas e ao meio ambiente”.
6 comentários
- SONIA R MONTEIRO
Acho que isso tudo e uma grande mentira,só para cozinhar o povo em banho. Meios de enrolo para ficar toda vida.
- ROBERTO OLIVEIRA DE SOUSA
E os esposos dessas mulheres q tiveram q perder dias de trabalho para buscar água,eu quase perdi meu emprego a minha esposa sofreu um acidente na fila da água ficou vários dias no hospital para fazer sirurgia,não pode fazer imediato foi descoberto que estava grávida não podia tirar raio x ,tive q pagar faxineira pra cuidar da casa como fica minha situação de marido dela ,esse vagabundo desse Leonardo depitusck manipulou o povo de Colatina foi o único prefeito q aceitou essa safadeza da Samarco ou renova .
- Neusa Fernandes
Eu penso que quem sofreu danos
Precisa ser indenizado
isso e fato
Mas existe tantas gente que foram
indenizadas pessoas que nunca
Chegou em uma beira de rio e mesmo assim foram indenizadas com mais de 100 mil reais e ainda estão recebendo por mês
E MTS outras que foram realmente prejudicados e até então nada foi feito eu penso que cada pessoa têm que provar se foram
Prejudicados tem que investigar mt gente porque MTS gente construí casas com o dinheiro da Samarco
Sendo que não foram prejudicados em nada!!!! - Yulo Petri
Acho tão desrespeitoso que a Renova se põe como parte correta na postura que tomou há alguns anos atrás. Agora vejam, eu moro em Humaita, tenho ilha , lá tinha casa daquelas mais antigas de madeira robusta, elevada do chão, plantios diversos e criações. Tudo foi destruído levado pelos rejeitos. Somos cadastrados sem conhecer o que era como funcionaria e agora recebemos mixaria. Essa mulheres não FORAM ORIENTADAS COM O RESPEITO E RESPONSABILIDADE NECESSÁRIA, isso me leva entender que a RENOVA E DEMAIS EMPRESAS. TENTARAM ENGANAR TODA POPULAÇÃO! Me diga pq o pescador informal recebeu 200 mil e nós proprietários agrícola perdemos tudo. E por falta de informação TIVEMOS QUE ASSINAR NOVEL e agora recebemos mixaria. Cadê o auxílio financeiro? Há muita falta de respeito!
As mulheres precisam ter seus direitos reconhecidos independente de cadastro e primeiro ser orientadas sobre a funcionalidade do mesmo. - Maria Gorete Bessigo LIMA
Eu fui atingida pelas lama dá Samarco e meu esposo Arlindo também ele era pescador até hoje não recebemos nada eu e minha família somos dê Colatina ninguém recebeu nada em quanto muito pessoas que nem se quer mora em lugar atingida estão recebendo estão comprando carros e fazendo casas e aí como ficamos enquanto muitos receberam sem ter direito agente que que tem direito não recebemos nada uma pouca vergonha nosso prefeito não faz nada mais quando vêm às eleições corre pra receber votos
- Maria Gorete
É mesmo uma sacanagem quem tem direito não recebemos nada enquanto muitos receberam sem ter direito agente que que sofremos com às Lamas estamos sofrendo sem direito algum nossos governantes não fazem nada




