A Polícia Civil de Colatina iniciou as investigações sobre o caso de um jovem de 16 anos que foi alvo de ataques racistas durante uma partida dos Jogos Estudantis em Colatina. O incidente ocorreu durante um confronto entre o Colégio Marista e o Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Campus Itapina, quando parte da torcida adversária teria xingado o atleta do Marista, chamando-o de “macaco”, após ele comemorar a expulsão de um jogador do time rival.
A família do estudante registrou um boletim de ocorrência na Delegacia Especializada de Proteção à Criança, ao Adolescente e ao Idoso (DPCAI), que agora está responsável pelo caso. Em nota, a Polícia Civil informou que as investigações já estão em andamento, mas, por se tratar de um menor de idade, o processo corre em sigilo. “Detalhes não serão divulgados”, afirma a nota.
Após o ocorrido, o estudante e sua família passaram a ser representados juridicamente pelo escritório De Lima, Gallon e Tula | Advocacia e Assessoria Jurídica. O escritório também se pronunciou, destacando que já tomaram providências junto à Delegacia e ao Ministério Público Estadual para o regular andamento das investigações.
Em resposta aos ataques racistas, a Comissão Disciplinar dos Jogos Estudantis de Colatina, em conjunto com a Direção Geral do evento e a administração do Ifes Campus Itapina, decidiu eliminar todas as equipes do instituto da atual edição da competição, na sexta-feira (13). A equipe jurídica da vítima comentou sobre a decisão: “Lamentamos profundamente todo o ocorrido, assim como a eliminação sumária de toda a delegação do Ifes Itapina desta edição dos Jogos”.
Tanto o Colégio Marista quanto o Ifes Itapina se manifestaram nas redes sociais. Em nota, o Ifes afirmou que “esse tipo de conduta é inadmissível e fere os princípios fundamentais de respeito, igualdade e dignidade que nossa comunidade acadêmica defende e promove. A atitude de um não representa todos”.
Em relação à identificação do agressor, o instituto explicou que o responsável ainda não foi identificado, mas que, uma vez identificado, será encaminhado ao Conselho de Ética e Disciplina Discente do campus, que decidirá as penalidades cabíveis.
O Colégio Marista, por sua vez, repudiou os ataques racistas e pediu ações rigorosas para prevenir novos episódios. “A luta contra o racismo exige uma ação coletiva. Iniciamos um diálogo com o Ifes Itapina e outras instituições para fortalecer o combate a todas as formas de discriminação”.
Movimentos sociais manifestam repúdio
Diversos movimentos sociais e sindicais de Colatina, como Zacimbagaba, Movimento Feminista Carolinas, Mucamo, Unegro, Sintvest, Sindicomerciários, Sindibancários e SISPMC, emitiram uma nota de repúdio aos ataques racistas sofridos pelo jovem atleta.
“A discriminação racial é inadmissível, especialmente em espaços de desenvolvimento social, como o esporte escolar. Prestamos nossa solidariedade ao estudante e à sua família, e esperamos que medidas sejam tomadas para responsabilizar os envolvidos e evitar que episódios como este se repitam”, diz a nota.















