O major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli, morador de Colatina, está entre os 37 indiciados pela Polícia Federal (PF) por suspeita de participação em um plano golpista para mudar os resultados das eleições presidenciais de 2022. O nome de Denicoli é citado 21 vezes no relatório da PF, que possui 884 páginas, e detalha as ações da organização criminosa.
Na última terça-feira (26), o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo do inquérito que investiga a tentativa de golpe. O relatório aponta que o grupo tinha planos para impedir a posse do governo eleito, incluindo ações extremas como o assassinato de figuras-chave, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o próprio ministro Alexandre de Moraes.
Participação no núcleo de desinformação
Denicoli é identificado como membro do Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral, grupo responsável por criar e disseminar informações falsas sobre vulnerabilidades no sistema eletrônico de votação. Entre os integrantes do núcleo, além do major, estão nomes como Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça; e Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel e ex-integrante do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).
Segundo a PF, esse núcleo operava desde 2019, mas intensificou suas ações após a derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022. A atuação envolvia disseminar narrativas falsas para estimular manifestações em frente a quartéis e criar um ambiente favorável a um golpe de Estado.
Ligação com live de fake news
Uma das ações atribuídas a Denicoli é sua colaboração com o consultor político argentino Fernando Cerimedo, responsável por uma transmissão ao vivo em 4 de novembro de 2022. Na live, foram divulgadas informações falsas sobre urnas eletrônicas fabricadas antes de 2020, usadas como base para um pedido do Partido Liberal (PL) de anular votos de 280 mil urnas no segundo turno das eleições.
Ainda segundo o relatório, Denicoli teria contribuído com documentos divulgados em uma pasta de nuvem no Google Drive, criada por Cerimedo, contendo informações falsas sobre as urnas. A PF destacou a ação coordenada para disseminar esse conteúdo por múltiplos canais.
Histórico de investigações e operações
Denicoli foi alvo da operação “Tempus Veritatis”, deflagrada em fevereiro deste ano pela PF, por suspeita de envolvimento em tentativas de golpe e ataques ao Estado Democrático de Direito, incluindo os atos de vandalismo de 8 de janeiro de 2023. O major também foi apontado por promover desinformação sobre a pandemia de Covid-19 durante o período em que ocupou um cargo no Ministério da Saúde, sob a gestão de Eduardo Pazuello.
Após a operação, Denicoli teve que entregar seu passaporte, foi proibido de manter contato com outros investigados e perdeu o cargo que ocupava como assessor especial na Companhia de Processamento de Dados de São Paulo (Prodesp).
ES FALA: informação A Gazeta














