Enfermeiros da rede privada do Estado anunciam greve por impasse sobre piso salarial

Os enfermeiros da rede privada de saúde do Espírito Santo, com exceção dos profissionais do sul do Estado, decidiram entrar em greve a partir da próxima quarta-feira (18). A paralisação ocorre devido a um impasse nas negociações da Convenção Coletiva com o Sindicato dos Estabelecimentos de Serviço de Saúde do Estado do Espírito Santo (Sindhes), relacionado ao cálculo do piso salarial da categoria.

Publicidade

De acordo com a presidente do Sindicato dos Enfermeiros no Estado do Espírito Santo (Sindienfermeiros), Valeska Fernandes, o conflito afeta as regiões norte, noroeste e Grande Vitória. No sul do Estado, as reivindicações dos trabalhadores foram atendidas, evitando a paralisação na região.

A principal divergência entre os sindicatos está na forma de calcular o piso salarial da categoria. Os trabalhadores defendem que o piso seja baseado exclusivamente no vencimento-base, sem considerar adicionais como insalubridade, adicional noturno e horas extras. A proposta do Sindienfermeiros prevê que, caso o vencimento-base não atinja o piso estipulado, a diferença seja complementada separadamente, mantendo os adicionais como valores à parte.

Publicidade

No entanto, o Sindhes argumenta que, com base em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de dezembro de 2023, o piso salarial deve considerar a remuneração global, incluindo todos os adicionais e benefícios. “Se a remuneração global for considerada, haverá disparidades significativas, onde profissionais que realizam plantões noturnos ou enfrentam condições mais insalubres acabarão recebendo o mesmo que aqueles em turnos mais regulares”, exemplifica Valeska.

Negociações frustradas e greve como último recurso

Valeska Fernandes destacou que o Sindienfermeiros propôs a assinatura de um dissídio econômico como alternativa para evitar a greve. No entanto, a proposta não foi aceita pelos representantes empresariais. “Não tivemos alternativa a não ser recorrer à greve. Não é represália à população ou às empresas, mas uma forma de avançar nas negociações”, afirmou a presidente do sindicato.

Publicidade

A sindicalista também assegurou que os serviços essenciais não serão interrompidos durante a paralisação. “Tratamentos de urgência e emergência, que não podem ser adiados, continuarão sendo realizados”, garantiu.

Com a greve prevista para iniciar na quarta-feira, a categoria aguarda uma nova rodada de negociações para buscar um consenso. Enquanto isso, o movimento reforça o debate sobre a aplicação do piso salarial no setor de saúde e os reflexos das decisões judiciais sobre os direitos trabalhistas.

ES FALA: informação crédito Século Diário.

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão abaixo e envie sua mensagem.

Notificar informação incorreta

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Envie sua mensagem usando o formulário abaixo.