A manhã deste sábado (14) foi marcada por tristeza em Ibatiba, na região do Caparaó. A família de Luiz Fernando de Souza Verli, de 10 anos, se despediu do menino durante o sepultamento realizado na região onde ele morava. Luiz morreu na última quinta-feira (12), no Hospital Infantil de Vitória, após uma parada cardíaca, resultado de agressões sofridas na escola onde estudava.
Luiz Fernando foi agredido por dois alunos mais velhos na última segunda-feira (9), na Escola Municipal de Tempo Integral Eunice Pereira Silveira. Segundo a família, a irmã do menino presenciou a violência e informou à diretoria da escola, mas nenhuma medida foi tomada. Após as agressões, Luiz não apenas não recebeu assistência, como foi colocado de castigo, e seus familiares não foram comunicados sobre o ocorrido.
O menino tinha epilepsia genética e uma condição ocular, que fazia com que um de seus olhos ficasse mais aberto do que o outro. A família acredita que essas características motivaram o bullying que ele sofria na escola.
Após as agressões, Luiz retornou para casa reclamando de dores intensas. Sua mãe o levou ao pronto-socorro de Ibatiba três vezes, mas, em todas as ocasiões, os médicos prescreveram apenas analgésicos e não realizaram exames mais detalhados, como um raio-X.
Na terça-feira (10), com o agravamento do quadro de dor, a mãe insistiu por exames, que confirmaram a gravidade da lesão: Luiz tinha uma vértebra quebrada, o que causou uma infecção generalizada.
“Ele chorava de dor, não conseguia sentar. Eu voltei ao médico e exigi que fizessem um raio-X na coluna dele. Quando fizeram, deu para ver que ele tinha quebrado uma vértebra, e isso causou uma infecção generalizada”, relatou a mãe.
Transferência e morte
Na madrugada de quarta-feira (11), Luiz foi transferido para o Hospital Infantil de Vitória em estado grave. Ele foi submetido a intubação e hemodiálise, mas sofreu uma parada cardíaca e não resistiu. Sua morte foi confirmada às 8h30 de quinta-feira (12).
Os médicos informaram à família que, caso Luiz Fernando tivesse sobrevivido, ele ficaria paraplégico devido à gravidade dos ferimentos.
A mãe, em meio à dor da perda, desabafou: “Perder um filho é como tirar um pedaço da gente. Quando a médica falou… meu mundo despencou”.
Investigação e posicionamento do Ministério Público
O caso está sendo acompanhado pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES). Em nota, o MPES informou que aguarda o relatório elaborado pelo Conselho Tutelar para instaurar procedimento e apurar eventuais omissões por parte da escola.
“O Ministério Público vai adotar todas as providências necessárias, incluindo possíveis responsabilizações”, afirmou a nota oficial.















