Um navio mineraleiro que partiu do Porto de Tubarão, no Espírito Santo, está protagonizando o maior teste mundial com velas rotativas. A iniciativa, liderada pela Vale, envolve o Sohar Max, um gigante do tipo Valemax, com 362 metros de comprimento e capacidade para transportar 400 mil toneladas de minério de ferro. A embarcação partiu na última sexta-feira (13) rumo à Malásia, carregada com minério extraído em território capixaba
A bordo do Sohar Max, foram instaladas cinco velas rotativas, torres cilíndricas que giram em alta velocidade sobre seu próprio eixo. O movimento utiliza o efeito Magnus, que gera um diferencial de pressão ao redor das velas e contribui para a propulsão do navio. Essa tecnologia aumenta a eficiência energética ao reduzir o consumo de combustível e, consequentemente, as emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com testes de laboratório, a expectativa inicial era uma redução de até 6% no consumo de combustível e até 3 mil toneladas anuais de emissões de CO₂ por navio. No entanto, na viagem anterior do Sohar Max, que veio da China para o Brasil, os resultados surpreenderam.
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O diretor de navegação da Vale, Rodrigo Bermelho, revelou que, durante a primeira viagem com a tecnologia embarcada, a economia de óleo combustível marítimo alcançou 9%, mesmo considerando a energia elétrica necessária para o funcionamento das velas.
“Houve ventos bem fortes, de 18 nós (29 km/h), o que nos permitiu aumentar a velocidade em 1,5 nós (2,7 km/h). Mas nossa prioridade é reduzir o consumo de combustível, e os resultados foram promissores”, destacou Bermelho.
Embora o Sohar Max pertença à armadora Asyad, de Omã, a Vale custeou a instalação das velas rotativas, com um investimento de US$ 13 milhões (R$ 78 milhões). Esse esforço faz parte do projeto Ecoshipping, da Vale, que desde 2017 busca soluções inovadoras para tornar a frota mais sustentável.
Outros cinco projetos semelhantes estão em andamento, incluindo um modelo com vela rígida. A meta é equipar 40% dos quase 200 navios afretados pela Vale com propulsão eólica nos próximos anos, alinhando-se às diretrizes da Organização Marítima Internacional (IMO) para zerar as emissões líquidas do setor marítimo até 2050.
Além das velas rotativas, o portfólio de inovação da Vale inclui o uso de tinta de silicone para reduzir a resistência das embarcações, inversores de frequência para otimizar o consumo elétrico e dispositivos hidrodinâmicos para melhorar a propulsão.
“O vento fez parte da navegação por séculos, e agora estamos nos reencontrando com ele, mas de forma diferente. No futuro, pode ser necessário ajustar as rotas para aproveitar melhor os ventos”, concluiu Bermelho.














