Moradores de Valsugana, em SantaTeresa, enfrentam quedas constantes de energia e criticam falta de soluções

A comunidade de Valsugana Velha, em Santa Teresa, região serrana do Espírito Santo, vive um cenário de constante interrupção no fornecimento de energia elétrica há dois anos, afetando mais de 200 moradores. Segundo Alzira Bermudes Barcellos, presidente da Associação de Moradores e Empreendedores de Valsugana Velha (AMEVV), a situação tem se agravado de forma insustentável. Apenas neste mês, foram registradas nove quedas de energia, algumas com duração superior a 20 horas.

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“Isso afeta tudo: ficamos sem água, internet e até impossibilitados de usar aparelhos essenciais para o cuidado de moradores acamados”, relatou Alzira. A líder comunitária enfatiza que a falta de energia compromete o abastecimento de água, que depende de bombas elétricas, além de isolar a comunidade, já que o acesso à internet também é interrompido.

A AMEVV tem buscado soluções junto à distribuidora de energia EDP, à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e ao Ministério Público do Espírito Santo (MPES). No entanto, até agora, as respostas têm sido insatisfatórias. Em julho, o MPES arquivou uma das reclamações com base nas justificativas da EDP, que apontou eventos climáticos, como chuvas e descargas atmosféricas, como as causas das interrupções.

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Segundo Gabriel Cominotti Fioretti, supervisor da concessionária, a zona rural tem um prazo de até 48 horas para restabelecimento do serviço, conforme a Resolução Normativa nº 414/2010 da Aneel. Ele também afirmou que “não foram identificadas pendências de manutenção na rede que atende a comunidade”.

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Alzira Bermudes Barcellos, presidente da Associação de Moradores e Empreendedores de Valsugana Velha (AMEVV)

Para Alzira, as explicações não condizem com a realidade. “A EDP nunca realizou uma manutenção decente na rede elétrica. O que fazem é apenas paliativo. Meu marido e outros moradores chegam a ajudar nas podas de árvores que ameaçam a rede, algo que deveria ser responsabilidade da empresa”, destacou.

A comunidade aponta que os prejuízos vão além do desconforto. “Temos moradores idosos e pessoas acamadas que dependem de energia para cuidados básicos. Ficar 18 horas sem energia é um risco para essas pessoas”, afirmou Alzira. Os moradores também relatam danos financeiros, como alimentos perecíveis estragados, aparelhos queimados e impacto na produção rural, que depende de irrigação.

O parecer do MPES, que arquivou a denúncia, ignorou esses impactos, segundo a presidente da associação. “A decisão apenas reforça o desamparo vivido pela população frente à negligência das autoridades responsáveis”, criticou.

A AMEVV planeja intensificar as cobranças aos órgãos competentes e exigir que a EDP tome medidas efetivas para melhorar a infraestrutura e garantir um fornecimento de energia regular.

O prefeito de Santa Teresa, Kléber Médici (PSDB), orientou os moradores a reportarem as falhas diretamente à concessionária por meio de protocolos formais. “Nesses casos, é necessário ir até a agência da EDP e protocolar um pedido para que os técnicos façam a análise do que está causando as quedas de energia”, afirmou.

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