Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio de Janeiro (Sesp-RJ) apontou que 34 criminosos do Espírito Santo, incluindo traficantes que comandam o crime em Colatina e região, estão se abrigando em favelas do Rio de Janeiro. A movimentação reforça a aliança entre facções criminosas dos dois estados e dificulta a ação das forças de segurança capixabas.
Na quarta-feira (29), uma operação conjunta entre as polícias do Espírito Santo e do Rio resultou na prisão de 10 criminosos e na apreensão de armamento pesado, fuzis, granadas e grandes quantidades de drogas.
O subsecretário de Inteligência da Segurança Pública do Espírito Santo, delegado Romualdo Gianordoli, explicou que a fuga dos criminosos para o Rio se deve à proximidade entre os estados e às ligações entre as facções.
“O Terceiro Comando Puro atua tanto no Espírito Santo quanto no Rio. Já o Primeiro Comando de Vitória tem aliança com o Comando Vermelho carioca. Essa relação fortalece a criminalidade e facilita a movimentação de traficantes entre os dois estados”, afirmou.
A investigação revelou que os criminosos já chegam ao Rio com abrigo garantido nas comunidades, onde contam com apoio de traficantes locais.
As forças de segurança do Espírito Santo têm intensificado as ações para capturar os líderes do tráfico foragidos. Fernando Moraes Pereira Pimenta, o “Marujo”, considerado o criminoso mais procurado do estado, foi preso em Vitória no ano passado após retornar do Rio de Janeiro.
Segundo Gianordoli, a estratégia tem sido monitorar a movimentação dos criminosos e capturá-los assim que tentam voltar ao Espírito Santo. “Estamos reduzindo significativamente a lista dos mais procurados. Já prendemos outros traficantes que estavam foragidos no Rio, como Luan e Adair”, destacou.
A Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo acredita que o número de criminosos escondidos no Rio seja ainda maior do que os 34 divulgados, pois muitos foragidos se deslocam sem fixar residência e sem familiares na região.
A operação realizada no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio, na última quarta-feira (29), revelou a dimensão financeira do crime organizado. Durante a ação, foi descoberto que as facções criminosas movimentavam cerca de R$ 43 milhões em um banco paralelo.
A integração entre as polícias dos dois estados tem sido essencial para enfraquecer essas conexões. “Estreitamos muito essa relação com o Rio de Janeiro, principalmente depois dessa operação. A repercussão foi positiva e acreditamos que as próximas serão ainda mais eficazes”, afirmou Gianordoli.













