Um lobo-guará foi flagrado circulando pelo bairro Ginásio, em Aracruz, na madrugada desta quarta-feira (5). O animal foi visto por um morador que saía para o trabalho e se surpreendeu ao encontrar a espécie silvestre em plena área urbana. O caso levantou preocupações sobre os impactos ambientais que podem estar forçando animais selvagens a se aproximarem das cidades.
De acordo com a esposa do morador que registrou o momento, a presença do lobo-guará na região é algo incomum. “Meu marido acredita que ele saiu da mata, como se estivesse perdido. Moro aqui há 54 anos e nunca vi isso acontecer”, afirmou.
A presença do animal em Aracruz chamou a atenção de especialistas. O mestre em Conservação da Biodiversidade Leonardo Merçon, fundador do Instituto Últimos Refúgios, confirmou que se trata de um lobo-guará, mas ressaltou que a espécie não é típica da Mata Atlântica.
“Eles são mais comuns no Cerrado, mas, devido ao desmatamento e à conversão de matas nativas em áreas de pastagem, têm se deslocado cada vez mais para o Espírito Santo”, explicou Merçon.
A Prefeitura de Aracruz também se manifestou, afirmando que o aparecimento do animal pode estar relacionado à perda do seu habitat natural. O município orientou a população a evitar contato direto com a espécie e a acionar os órgãos ambientais competentes caso novos avistamentos ocorram.
A migração do lobo-guará para áreas urbanas pode ser um reflexo do avanço do desmatamento e da degradação ambiental. A destruição de habitats naturais obriga animais silvestres a procurarem novos territórios em busca de alimento e abrigo, o que pode resultar em encontros inesperados com moradores das cidades.
Em outubro de 2023, um caso semelhante ocorreu no Espírito Santo, quando um bicho-preguiça foi encontrado tomando banho no mar, em um evento considerado atípico pelos especialistas.
SIGA O INSTAGRAM DO PORTAL DE NOTÍCIAS ES FALA@esfalaoficial

Além de ser um ícone da fauna brasileira, o lobo-guará também estampa a cédula de R$ 200, lançada pelo Banco Central em 2020. A escolha do animal simbolizou a necessidade de preservação da espécie, que está ameaçada de extinção.
Na época do lançamento da nota, o governo anunciou a produção de 450 milhões de unidades, com o objetivo de ajudar a movimentar a economia do país. No entanto, tanto a cédula quanto o próprio lobo-guará são considerados raridades no dia a dia da população.
O flagrante do animal em Aracruz reforça a importância de preservar a biodiversidade e proteger os habitats naturais, evitando que espécies silvestres sejam obrigadas a buscar refúgio em áreas urbanas, onde podem estar mais vulneráveis.















