O major da reserva do Exército, Angelo Martins Denicoli, morador de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outras 32 pessoas por envolvimento na tentativa de golpe de Estado. A denúncia, apresentada pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, ao Supremo Tribunal Federal (STF) na última terça-feira (18), aponta a participação de Denicoli na disseminação de informações falsas sobre o sistema eleitoral brasileiro.
De acordo com a PGR, o major teria levantado conteúdos para uma live que propagou informações inverídicas sobre as urnas eletrônicas e também teria participado da elaboração de um relatório usado pelo Partido Liberal (PL) para pedir a anulação de votos do segundo turno das eleições de 2022.
A denúncia destaca que Denicoli teria atuado no esquema de desinformação coordenado pelo influenciador argentino Fernando Cerimedo. Durante uma transmissão ao vivo no YouTube, realizada em 4 de novembro de 2022, Cerimedo apresentou um dossiê com informações falsas sobre o sistema de votação brasileiro, publicado no canal La Derecha Diario36. A transmissão alcançou mais de 415 mil visualizações simultâneas e apontava, sem provas, uma suposta disparidade entre os votos registrados em urnas novas (fabricadas em 2020) e em modelos mais antigos (2009, 2010, 2011, 2013 e 2015).
Ainda segundo a denúncia, o documento apócrifo apresentado durante a live alegava que cinco modelos de urnas eletrônicas não haviam sido auditados e que haveria uma “anomalia estatística” favorecendo o candidato adversário de Bolsonaro. Essa narrativa foi usada pelo PL para solicitar a anulação de votos de cerca de 280 mil urnas utilizadas no segundo turno das eleições.
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Arquivos publicados em uma parta de serviço/Nuvens.
A investigação da PGR aponta que Denicoli foi um dos responsáveis por fornecer material para a transmissão de Cerimedo. “Identificou-se que uma pasta no serviço de nuvem Google Drive, disponibilizada pelo argentino, foi alimentada com arquivos de autoria de Denicoli”, destacou Gonet na denúncia.
Ligação com Mauro Cid e a elaboração de relatório do PL
A conexão entre Denicoli e Cerimedo foi confirmada pelo ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, em sua delação premiada. Cid afirmou que o major colatinense se dedicava a buscar supostas fraudes nas urnas eletrônicas.
Além disso, Denicoli teria participado da elaboração do relatório do Instituto Voto Legal (IVL), contratado pelo PL, no qual se apontava, falsamente, a existência de “desconformidades irreparáveis de mau funcionamento” em urnas eletrônicas fabricadas antes de 2020. O documento alegava que esses modelos repetiam um mesmo número de identificação, quando, na verdade, cada urna deveria ter um código individualizado.
Para a PGR, o objetivo do grupo era desacreditar o processo eleitoral e justificar medidas extremas, dando a entender que todas as vias jurídicas para contestação estariam esgotadas. No dia 22 de novembro de 2022, os aliados de Bolsonaro decidiram ingressar com uma ação judicial alegando a descoberta de novas provas sobre a inidoneidade das urnas, consolidando a estratégia de questionamento do resultado das eleições.
Agora, com a denúncia formalizada ao STF, Denicoli poderá responder judicialmente pelos crimes apontados no processo.














