A Polícia Civil do Espírito Santo desvendou o assalto que aterrorizou um grupo de turistas mineiros em julho do ano passado, em Parque Jacaraípe, na Serra. O caso ganhou uma reviravolta surpreendente: a dona da casa onde as vítimas estavam hospedadas, e que chegou a dar entrevista como vítima do crime, era na verdade cúmplice dos criminosos. Ao todo, cinco pessoas foram presas.
O crime aconteceu na madrugada do dia 9 de julho de 2023, quando dois casais de Minas Gerais — um deles com um bebê de seis meses — foram rendidos por assaltantes armados dentro da casa alugada para as férias. Os criminosos amarraram as vítimas, ameaçaram sequestrar o bebê e exigiram transferências via Pix. Durante a ação, um dos turistas foi baleado na perna ao tentar impedir que os bandidos levassem a criança.
Segundo a Polícia Civil, a dona da casa, identificada como Elisângela Muniz da Silva, participou ativamente do plano, deixando o cadeado do imóvel destrancado para facilitar a entrada dos criminosos. A investigação revelou que tudo começou quando uma das vítimas procurou Gabriel Ferreira Adão, conhecido capixaba, para conseguir uma casa de temporada no Espírito Santo. Gabriel, ao lado do irmão Jhonatas Ferreira Adão, decidiu usar a oportunidade para cometer o crime.
Os irmãos articularam o plano com Elisângela e contaram com o apoio de outros dois comparsas: David Lopes da Silva e Valclides Pessoa da Silva, responsáveis por executar o roubo. Elisângela informou aos comparsas quais turistas aparentavam ter mais dinheiro e orientou que, para pressionar as vítimas, poderiam usar o bebê como ameaça.
A ação foi violenta. As vítimas foram agredidas com coronhadas e ameaçadas de morte. Mesmo amarrado, o pai da criança reagiu ao ver os bandidos tentando sequestrar o filho, e acabou baleado. Após os disparos, os criminosos fugiram levando um carro e um celular. Durante a fuga, ainda agrediram outro turista com uma pedrada e tentaram intimidar um vigilante que percebeu a movimentação suspeita. Valclides chegou a atirar contra o trabalhador, mas a arma falhou.
Inicialmente tratada como vítima, Elisângela caiu em contradição durante os depoimentos, o que levantou suspeitas dos investigadores. A partir daí, a Polícia Civil passou a investigá-la como cúmplice do crime.
Todos os cinco envolvidos foram presos e vão responder por tentativa de latrocínio e roubo circunstanciado. Valclides e David também foram indiciados por tentativa de homicídio contra o vigilante.
Além disso, as investigações apontaram o envolvimento dos irmãos Adão em outros crimes. Gabriel, segundo a polícia, é gerente do tráfico de drogas no bairro Feu Rosa e já havia sido preso por homicídio. Ele foi capturado no dia 9 de julho, em Novo Porto Canoa, com uma pistola. Já Jhonatas tinha mandados de prisão em aberto por homicídio e tráfico, figurando na lista dos 10 criminosos mais procurados do Vale do Aço, em Minas Gerais. Ele foi preso em setembro, também no bairro Novo Porto Canoa.
A Polícia Civil destacou que a prisão dos irmãos evitou a ocorrência de novos crimes na região.















