Um grupo de 12 pessoas, moradores de Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, foi deixado no Centro de Linhares, no Norte do Espírito Santo, por um micro-ônibus descaracterizado na tarde da última terça-feira (8). Segundo a Prefeitura de Linhares, os indivíduos foram levados até o município com falsas promessas de emprego.
Após o desembarque, o grupo foi encaminhado à Delegacia Regional de Linhares para registro de ocorrência, e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil. A prefeitura informou que imagens do cerco eletrônico da cidade identificaram o veículo utilizado no transporte, e os dados, incluindo a placa, já foram enviados para as autoridades competentes.
O caso repercutiu após a divulgação de um vídeo nas redes sociais. Nas imagens, o prefeito de Linhares, Lucas Scaramussa, aparece conversando com um dos integrantes do grupo. O homem afirma estar em situação de rua e relata que recebeu a promessa de trabalho na colheita de café, com direito a moradia e pagamento por produtividade.
“Se a pessoa te oferece alguma coisa, você vai aceitar qualquer coisa. Você só não quer ficar na rua. Eles nos disseram que teria um grupo de empresários aqui, que estariam mandando esses ônibus, e aqui teríamos suporte, alojamento, lugar para trabalhar, de R$ 20 a R$ 50 por saca do café”, contou.
RELEMBRE CASOS SEMELHANTES
O caso registrado nesta semana em Linhares, onde 12 moradores de Cabo Frio (RJ) foram deixados no Centro da cidade com falsas promessas de emprego na colheita de café, acende um alerta importante: essa não é a primeira vez que o Espírito Santo presencia situações envolvendo aliciamento de pessoas em situação de vulnerabilidade com promessas enganosas.
Enquanto o episódio em Linhares é investigado pela Polícia Civil e acompanhado pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), casos semelhantes já foram registrados no estado nos últimos anos, revelando um padrão preocupante.
m 2022, um golpe com grande alcance circulou no Espírito Santo por aplicativos de mensagem como WhatsApp e SMS, prometendo salários de até R$ 5 mil por mês, jornada reduzida e contratação imediata. O conteúdo usava o nome de grandes empresas como Magazine Luiza, Correios e Mercado Livre, para atrair pessoas em busca de recolocação no mercado de trabalho.
As vítimas eram direcionadas a links falsos, onde forneciam dados pessoais, número de documentos e, em alguns casos, pagavam taxas para garantir a suposta vaga. Não havia vaga alguma — tratava-se de um golpe bem estruturado. O alerta foi emitido pelo Procon-ES e divulgado em diversos meios de comunicação do estado.
Outro caso de destaque ocorreu no interior do Espírito Santo, quando trabalhadores rurais foram recrutados por cooperativas irregulares, com a promessa de emprego formal, moradia e salário digno. Ao chegarem ao local, se depararam com condições precárias, ausência de registro em carteira e jornadas exaustivas.
A situação foi denunciada por entidades de direitos humanos e motivou fiscalizações do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho (MPT-ES).
Profissionais do ramo alertam que golpes com falsas promessas de emprego costumam atingir principalmente pessoas em situação de vulnerabilidade social, como desempregados, moradores de rua e migrantes. Por isso, a recomendação é sempre:
- Confirmar a existência da vaga junto à empresa;
- Desconfiar de propostas com altos salários e pouca exigência;
- Evitar fornecer dados pessoais sem segurança;
- Nunca pagar taxas antecipadas para processos seletivos.














