O juiz Carlos Ernesto Campostrini Machado, da 9ª Zona Eleitoral de Santa Leopoldina, na Região Serrana do Espírito Santo, determinou nesta quarta-feira (9) a cassação dos mandatos do prefeito de Santa Maria de Jetibá, Ronan de Zucoloto de Souza (PL), conhecido como Ronan Fisioterapeuta, e de seu vice, Rafael Bozani Pimentel (PL). Ambos foram eleitos nas eleições de 2024.
Além da perda dos cargos, a decisão também estabelece a inelegibilidade da chapa por oito anos e determina a realização de novas eleições no município. A sentença foi proferida no âmbito de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) ajuizada pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES) em outubro do ano passado. A defesa informou que irá recorrer ao Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES).
Segundo o MPES, a chapa de Ronan e Rafael foi beneficiada pela divulgação de uma pesquisa eleitoral falsa no dia da eleição, veiculada via grupos de WhatsApp. O conteúdo teria sido intencionalmente manipulado por aliados políticos do PL, utilizando dados de uma pesquisa real da Grande Vitória, alterados para simular um cenário favorável aos candidatos em Santa Maria de Jetibá.
De acordo com a denúncia, os autores do material teriam utilizado um vídeo atribuído à Rede Gazeta, afiliada da Rede Globo no Espírito Santo, para dar aparência de credibilidade à montagem. “Utilizando-se de técnicas bem elaboradas, os autores do vídeo fizeram uma montagem alterando a cidade e os candidatos pesquisados. O conteúdo foi divulgado de forma sub-reptícia, ainda na manhã de domingo, dia das eleições, com o objetivo de influenciar a vontade do eleitor”, afirma trecho da ação.
A Rede Gazeta, por sua vez, negou ter contratado ou divulgado pesquisas em Santa Maria de Jetibá nas eleições de 2024.
Durante o processo, a defesa dos réus alegou não ter conhecimento prévio da pesquisa fraudulenta, mas o juiz entendeu que essa justificativa não era suficiente. A sentença destacou que tanto o prefeito quanto o vice eram administradores do grupo de WhatsApp “Renova Santa Maria”, onde o conteúdo adulterado foi compartilhado.
“Nessa condição, não é crível admitir que desconhecessem o teor das mensagens ali veiculadas, especialmente aquelas que, de forma evidente, favoreciam-lhes eleitoralmente”, concluiu o magistrado.
Em nota, a defesa de Ronan e Rafael, representada pelo advogado Altamiro Thadeu, afirmou confiar na Justiça e reiterou que não houve qualquer irregularidade por parte da campanha.
“A defesa de Ronan e Rafael reafirma sua confiança na Justiça e na lisura do processo eleitoral. Não houve qualquer irregularidade por parte da campanha, devendo ser respeitada a vontade popular expressa nas urnas. Ronan e Rafael seguem tranquilos, certos de que não cometeram crime algum, e confiam plenamente no Poder Judiciário para o restabelecimento da justiça”, diz a nota.
A decisão ainda cabe recurso ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). Enquanto isso, o município de Santa Maria de Jetibá se prepara para um novo processo eleitoral.















