Moradores do bairro Vista da Serra, em Colatina, estão cobrando providências urgentes por parte do Sanear e da Prefeitura Municipal diante de um problema crônico que há tempos afeta diretamente a saúde e a qualidade de vida da comunidade: o escoamento de esgoto a céu aberto em uma área verde do bairro.
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Segundo relatos, o local — que pertence ao município — se transformou em um ponto permanente de contaminação, com mau cheiro constante, presença de mosquitos, inclusive larvas do mosquito da dengue, e risco de proliferação de doenças. A situação afeta moradores e comerciantes que convivem diariamente com o cenário insalubre.
“É insuportável. O cheiro é o dia todo, os mosquitos invadem as casas e a terra fica encharcada de esgoto. Já encontramos larvas aqui. Isso é um risco enorme para todos nós”, denunciou um morador.
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Moradores e comerciantes não suportam mais/Leitor
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De acordo com os moradores, o Sanear já esteve no local para realizar limpezas emergenciais, mas o problema volta no dia seguinte, o que demonstra a necessidade de uma intervenção estrutural definitiva.
Um comerciante da região afirma que a solução técnica está próxima: “A canalização do esgoto da rua passa a quatro metros do ponto onde o esgoto está escorrendo. Resolver isso não é difícil. Falta vontade de fazer”, reclamou.
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Moradores pedem resolução do problema/leitor
A comunidade pede que o poder público trate o caso com a seriedade que ele exige, diante do potencial risco à saúde pública, sobretudo em um período de alta de casos de dengue no Espírito Santo.
O espaço permanece aberto para que o Sanear e a Prefeitura de Colatina se manifestem sobre o caso e apresentem possíveis medidas que serão adotadas para resolver o problema apontado pela comunidade.
DOENÇAS
A presença de esgoto a céu aberto em áreas urbanas ou rurais não representa apenas um incômodo visual e de mau cheiro — trata-se de uma grave ameaça à saúde pública, especialmente quando o problema é recorrente e não recebe o devido tratamento pelas autoridades competentes.
De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a exposição a esgoto sem tratamento adequado está diretamente ligada à proliferação de doenças infecciosas, tanto em adultos quanto em crianças. O contato com água contaminada ou solo encharcado por resíduos orgânicos pode ocasionar infecções de pele, diarreias severas e doenças de transmissão hídrica.
Entre as principais doenças associadas ao esgoto a céu aberto, estão:
Leptospirose: causada por bactéria presente na urina de ratos, pode ser contraída pelo contato com água ou lama contaminada. É potencialmente fatal.
Hepatite A e E: vírus transmitidos por água e alimentos contaminados com fezes humanas. Afetam o fígado e podem causar surtos comunitários.
Dengue, zika e chikungunya: o acúmulo de água parada em meio ao esgoto favorece a reprodução do mosquito Aedes aegypti, vetor dessas doenças.
Giardíase e amebíase: parasitos intestinais que causam diarreias, vômitos e cólicas, muitas vezes transmitidos por água contaminada.
Doenças de pele: como micoses, alergias e dermatites, comuns em pessoas que mantêm contato direto com áreas contaminadas.
Infecções respiratórias: a decomposição da matéria orgânica no esgoto emite gases e micro-organismos que podem afetar o sistema respiratório.
Além dos riscos biológicos, o esgoto a céu aberto também atrai insetos, baratas, ratos e outros vetores de doenças, que se proliferam rapidamente em ambientes insalubres, aumentando ainda mais os riscos para a população local.
A legislação brasileira determina que o esgoto deve ser coletado e tratado antes de seu lançamento em qualquer corpo hídrico. O descumprimento dessas normas fere o direito básico ao saneamento e à saúde e pode acarretar penalidades para os gestores públicos, conforme previsto na Lei nº 11.445/2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico.
Autoridades de saúde recomendam que, ao identificar a presença de esgoto exposto, a população registre denúncias formais junto aos órgãos competentes, como a Vigilância Sanitária, as secretarias de meio ambiente e saneamento, e o Ministério Público, para que providências sejam tomadas.