2024: Linhares é um dos últimos em investimento por aluno no Norte/Noroeste do ES e pode até perder verbas federais

Em 2024, Linhares, uma das cidades mais populosas e economicamente relevantes do Espírito Santo, investiu apenas R$ 5.576,10 por aluno da rede pública municipal, segundo levantamento do Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES). A cifra coloca o município na 30ª posição entre 33 cidades do Norte e Noroeste capixaba — um cenário preocupante, especialmente para um município que é referência.

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Essa realidade, longe de ser apenas um número em uma planilha, expos uma crise de prioridade orçamentária que compromete o presente e pode ameaçar o futuro da educação pública em Linhares.

O baixo valor investido por aluno em 2024 indica que a educação não foi tratada como prioridade absoluta pela antiga gestão municipal. Essa negligência se não for rompida energicamente pela atual gestão poderá ter impacto direto em várias frentes:

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  • Salas superlotadas, escolas sucateadas e falta de materiais pedagógicos essenciais;
  • Desmotivação de professores, que lidam com salários defasados e infraestrutura precária;
  • Desempenho estudantil prejudicado, o que contribui para o aumento da evasão escolar;
  • Desigualdade social ampliada, pois os alunos da rede pública têm cada vez menos chances de disputar espaço com os da rede privada;
  • Ciclo de pobreza alimentado, já que a má formação educacional gera adultos com menos acesso ao mercado formal de trabalho.

Risco de perder verbas federais

A baixa aplicação de recursos na educação também traz riscos jurídicos e financeiros. A Constituição Federal exige que os municípios invistam no mínimo 25% da receita líquida em educação. O não cumprimento desse índice pode gerar sanções graves, incluindo:

  • Suspensão de convênios federais;
  • Bloqueio de repasses voluntários da União;
  • Reprovação de contas;
  • Inelegibilidade de gestores, em casos extremos, como prevê a Lei de Responsabilidade Fiscal.

Além disso, o acesso aos recursos do Fundeb — principal fundo de financiamento da educação básica no Brasil — depende de critérios como número de matrículas e metas de qualidade. Municípios com desempenho fraco ou que não priorizam a educação podem perder recursos estratégicos que já são escassos.

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É inaceitável que uma cidade com forte arrecadação, estrutura urbana consolidada e projeção regional figure entre os últimos no ranking de investimento por aluno. A atual gestão municipal, ao contrário da última, precisa priorizar a educação, sob o risco de comprometer não apenas a educação, mas também o desenvolvimento econômico e social da cidade.

VEJA O INVESTIMENTO POR ALUNO NO NORTE/NOROESTE DO ES EM 2024

MunicípioValor por aluno (R$)
Governador Lindenberg15054.47
São Roque do Canaã11540.72
Mantenópolis11370.41
Ecoporanga11311.63
Pancas10814.18
Marilândia10556.25
Itaguaçu10008.97
Rio Bananal9667.91
São Domingos do Norte9523.27
Ponto Belo9225.89
Águia Branca9224.92
Apiacá8874.88
Santa Teresa8704.15
Aracruz8677.05
João Neiva8626.02
Vila Valério8289.43
Alto Rio Novo8268.33
Boa Esperança7759.21
Pinheiros7316.02
Água Doce do Norte7241.76
Vila Pavão7117.54
São Gabriel da Palha6969.38
Barra de São Francisco6650.57
Baixo Guandu6618.52
Montanha6588.16
Jaguaré6135.14
Pedro Canário6131.14
Nova Venécia5862.90
Colatina5832.61
Linhares5576.10
Conceição da Barra5481.40
São Mateus4751.96
Sooretama4620.84

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