Uma atitude vergonhosa e racista marcou uma partida de futebol no município de Pancas, no último sábado (3), quando Carlos Eduardo, um menino de apenas 12 anos, da Escolinha Bom de Bola de Marilândia foi vítima de injúrias raciais vindas da torcida adversária. O episódio ocorreu durante um jogo entre a Escolinha de Pancas e a Escolinha Bom de Bola.
Conhecido carinhosamente por amigos e colegas como Cadu, o jovem atleta atua como goleiro e foi alvo de xingamentos preconceituosos por parte de torcedores de Pancas. O técnico da equipe, Richard Falcão, ao perceber o abalo emocional do menino, o acolheu com diálogo. “Ele estava chorando, com raiva, muito machucado emocionalmente. Conversei com ele e disse: ‘Temos duas opções, ir à delegacia agora registrar a denúncia ou continuar jogando’. Cadu escolheu continuar”, relatou o técnico.
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Criança é vítima de racismo/Crédito leitor
Mesmo ferido emocionalmente, o menino respondeu com coragem e talento. Permaneceu em campo, defendeu um pênalti e marcou um gol de falta, ajudando seu time a conquistar um empate importante. O gesto de força e maturidade de Cadu contrasta com o comportamento covarde daqueles que o atacaram verbalmente com base na cor da sua pele.
A mãe de Cadu procurou a redação do Portal ES FALA para tornar o caso público e, assim, provocar reflexão e indignação. “Ele tem só 12 anos. Há três anos está no esporte, treina na escolinha Bom de Bola. É um menino bom, de coração grande. Fico muito triste ao ver meu filho passar por isso. Um adulto já sofre, imagine uma criança”, lamentou, emocionada.
Carlos Eduardo participa de diversos projetos esportivos como bolsista, já que sua família não teria condições de arcar com os custos. A dedicação ao esporte sempre foi um caminho de crescimento, aprendizado e inclusão. Por isso, o que ocorreu em campo vai além de um ataque pessoal: é um reflexo de uma ferida social que persiste, mesmo em pleno século 21.
Atitudes racistas, principalmente contra crianças, são intoleráveis e devem ser enfrentadas com rigor. A denúncia feita pela família e o exemplo de superação de Cadu mostram a necessidade da denúncia e combate ao racismo em todas as esferas da sociedade — inclusive no esporte, que deveria ser espaço de respeito, união e desenvolvimento humano.
NOTA OFICIAL
A Secretaria Municipal de Esportes e Lazer, em conjunto com a Prefeitura Municipal de Pancas, manifesta publicamente sua posição diante da denúncia de possível ato de racismo direcionado ao goleiro “Cadu”, atleta da equipe Bom de Bola, durante a partida contra o time de Pancas, válida pela Copa A Gazetinha, realizada no último sábado, 03 de maio, no Estádio Laurindo Barbosa.
Reafirmamos que não compactuamos com qualquer forma de racismo, discriminação ou intolerância, e reforçamos nosso compromisso com o esporte como um espaço de respeito, inclusão e união.
O fato será devidamente apurado com responsabilidade pelas instâncias competentes, a fim de esclarecer o ocorrido.
Nos solidarizamos com o atleta, sua equipe e familiares, e lamentamos profundamente o episódio. Seguiremos empenhados em promover um ambiente esportivo saudável, seguro e igualitário para todos.
Esporte é respeito. Esporte é união.













