O que era para ser um anúncio comemorado, acabou virando motivo de revolta entre servidores públicos de Colatina. Na quarta-feira (18), o prefeito Renzo Vasconcelos divulgou nas redes sociais que o município vai começar a pagar, a partir de julho, o piso nacional dos professores, com reajuste de 6,27% e valores retroativos a janeiro. Além disso, anunciou um reajuste de 20% no tíquete-alimentação dos servidores, que passará de R$ 500 para R$ 600.
Mas a reação do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Colatina e Governador Lindenberg (SISPMC) foi imediata — e dura.
“Reajuste zero não é notícia boa, é um desrespeito com a categoria e com a mesa de negociação que foi aberta”, disparou Eliane de Fátima Inácio, presidente do sindicato.
Segundo ela, o pagamento do piso dos professores deveria ter sido feito desde o início do ano com recursos do Fundeb, mas só foi anunciado agora por “falta de vontade política”.
Com o anúncio, a prefeitura passa a cumprir o piso nacional do magistério, hoje fixado em R$ 4.580,57 para 40 horas semanais. O pagamento incluirá os valores retroativos a janeiro.
Já o vale-alimentação dos servidores será reajustado em R$ 100, passando de R$ 500 para R$ 600. Para o sindicato, no entanto, esse acréscimo não representa um verdadeiro avanço diante do aumento do custo de vida e da ausência de reajuste salarial real.
O descontentamento dos servidores também é alimentado pela falta de avanço nas negociações com o governo municipal. Segundo o SISPMC, apesar da instalação de uma mesa de diálogo em janeiro, nenhuma proposta concreta foi apresentada até agora.
“Tivemos três reuniões com representantes da gestão que não têm poder de decisão. Prometeram apresentar uma proposta antes da nossa assembleia em maio. Até hoje, nada foi enviado”, relata Eliane.
Devolução de direitos e cortes surpresa
Outro ponto de tensão é a devolução do Adicional por Tempo de Serviço (ATS), referente a pagamentos feitos entre junho e novembro de 2024, na gestão anterior. 527 servidores foram afetados, com descontos que somam R$ 70 mil. O valor foi retirado após a Justiça declarar inconstitucional a Lei Municipal 3.608/90, que assegurava benefícios como ATS, abono-aniversário e licença sem vencimento aos antigos celetistas.
A gestão anterior, do ex-prefeito Guerino Balestrassi, firmou um acordo com o Ministério Público do Trabalho, mas sem ouvir os servidores. O sindicato recusou-se a assinar e manteve sua posição, mas mesmo assim os valores foram retirados dos contracheques.
Para os professores, a situação também foi amarga. Em 2023, houve descontos inesperados em três parcelas, sem aviso prévio. O sindicato solicitou explicações ao então secretário de Educação, Cidimar Andreatta, que alegou desconhecimento. O setor de RH informou que os descontos referiam-se a supostos pagamentos indevidos do piso salarial, sem detalhar o motivo.
Promessa sem retorno
Desde que assumiu o cargo, Renzo Vasconcelos prometeu apurar os descontos e revisar os impactos da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida pela gestão anterior. Porém, quase seis meses depois, o sindicato afirma que a administração continua sem dar respostas.
“Falou em seu plano de governo que os servidores seriam valorizados. Até agora, nenhuma proposta concreta, apenas anúncios pontuais que ignoram a realidade da maioria”, finaliza Eliane Inácio.















