A audiência pública realizada nesta terça (24) na Câmara Municipal de Colatina, para tratar da reestruturação dos serviços de pronto atendimento no município, acabou revelando que decisões importantes já haviam sido tomadas antes mesmo da deliberação formal do Conselho Municipal de Saúde. A principal mudança diz respeito à transferência do atendimento do Pronto Atendimento (PA) da Santa Casa para a Unidade de Saúde 3 (US3), no bairro São Silvano.
A Secretaria Municipal de Saúde já havia iniciado as adequações na US3 para receber o novo PA de São Silvano, o que levantou críticas sobre a falta de transparência e de diálogo com os órgãos de controle social. O contrato com o PA da Santa Casa, que prestava serviços há mais de 22 anos, não foi renovado e termina no dia 30 de Junho de 2025.
O vereador Ferreinha, que participou da audiência, reafirmou sua posição crítica e disse que continuará fiscalizando os procedimentos relacionados à nova unidade de atendimento. Segundo ele, a população pode ficar tranquila, pois qualquer irregularidade será imediatamente comunicada ao Ministério Público. “Se o secretário não conseguia garantir o básico nos postinhos de saúde, com insumos essenciais, o que podemos esperar agora?”, questionou o vereador. Ainda assim, afirmou que trabalha em prol da população e que, se a mudança for positiva, será o primeiro a reconhecer: “Se funcionar, vou aplaudir”.
Durante a audiência, Santina Benezoli, diretora-presidente da Santa Casa, apresentou planilhas que demonstram o desequilíbrio financeiro do contrato vigente. Segundo ela, o último reajuste solicitado ocorreu neste ano, motivado principalmente pela sobrecarga de atendimentos após o fechamento parcial dos serviços no Hospital Silvio Avidos, em setembro de 2024. “Mesmo sem reajuste desde 2013, mantivemos a qualidade. Só neste ano, já realizamos 12 entubações no PA”, afirmou Santina.
O contrato atual com a Santa Casa teve início em 1º de julho de 2023, foi renovado em 2024, mas permaneceu com o mesmo valor: R$ 572.167,03. Segundo Santina, o valor, inicialmente adequado, tornou-se insuficiente após o aumento da demanda. “Desde novembro do ano passado, os repasses não cobrem os custos reais do serviço”, ressaltou.
O secretário municipal de Saúde, Raul Amicci, também falou durante a audiência. Ele apresentou uma linha do tempo de sua gestão e destacou que assumiu o cargo com experiência prévia de seis anos. Raul afirmou que fez um levantamento completo da situação dos contratos, incluindo visitas in loco às unidades. “A equipe da Santa Casa estava incompleta, havia um médico a menos à noite. Exigimos adequações”, disse.
Sobre os procedimentos de entubação, o secretário minimizou a capacidade técnica da unidade anterior: “Tivemos que colocar um profissional experiente para garantir o atendimento adequado”. Raul também rebateu as críticas sobre a falta de solicitação de reajuste: “O orçamento foi definido no ano passado. Não recebemos nenhum ofício solicitando aumento relativo ao reajuste com data de 2024. Não houve documentação formal apresentada”.
A audiência, embora esclarecedora em diversos pontos, expôs o desencontro entre a gestão municipal e os prestadores de serviço, além de revelar a urgência de uma comunicação mais clara e respeitosa com os conselhos e a população.
Agora, os olhos da comunidade e dos vereadores, especialmente do vereador Ferreinha, estarão voltados para o funcionamento do novo PA de São Silvano, que terá de provar, na prática, que a mudança foi, de fato, benéfica.















