Após onze anos de espera, o Tribunal do Júri de Colatina iria julgar nesta quinta-feira (24) o domador de cavalos Ronaldo dos Santos, acusado de cometer um duplo feminicídio em outubro de 2013, na zona rural do município. No entanto, o julgamento foi adiado — desta vez para o dia 15 de agosto de 2025.
Segundo apurou a reportagem do ES FALA, a advogada de defesa do réu protocolou um atestado médico alegando problemas respiratórios, com indicação de um CID relacionado a crises desse tipo. Fontes ouvidas pela equipe relataram que a condição médica apresentada seria uma crise de sinusite.
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O Tribunal do Júri de Colatina iria julgar nesta quinta-feira (24)/Redes sociais
Ainda conforme apurado por nossa reportagem, o adiamento vem sendo interpretado como uma possível estratégia da defesa para prolongar ao máximo a realização do júri, que já se arrasta há mais de uma década desde o crime.
Ronaldo é réu pelo assassinato de Simone Pereira Silva, de 32 anos, com quem mantinha um relacionamento, e da amiga dela, Silvanete Rodrigues dos Santos, de 28 anos. De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo, o crime foi motivado por ciúmes e desejo de vingança.
As duas mulheres desapareceram no dia 12 de outubro de 2013. Os corpos foram encontrados cinco dias depois, em 17 de outubro, enterrados em uma cova rasa, com sinais de crueldade, no Córrego Macuco, zona rural de Colatina.
À época, o próprio Ronaldo confessou o crime à Polícia Civil e indicou o local onde havia enterrado os corpos, em uma fazenda onde morava. Ele também revelou onde havia escondido o revólver calibre .38 usado no assassinato — a arma foi localizada dentro de uma caixa de remédios em uma baia de cavalos.
Durante depoimento, Ronaldo alegou que houve uma discussão e afirmou que as mulheres tentaram ameaçá-lo com uma faca. No entanto, a apuração da Polícia Civil apontou execução com sinais de premeditação.
Ronaldo dos Santos já havia sido preso em maio de 2013 por violência doméstica contra Simone, com quem vivia há cerca de um ano. Ela deixou três filhos de um relacionamento anterior. De acordo com o MPES, as vítimas foram surpreendidas com disparos de arma de fogo e golpes de faca. O crime teve qualificadoras como motivo torpe, recurso que dificultou a defesa das vítimas e ocultação de cadáver.
O Ministério Público informou que, após o recebimento da denúncia e o encerramento da fase de instrução, o réu foi pronunciado e será julgado por homicídio duplamente qualificado — quando o júri finalmente ocorrer.















