O major da reserva do Exército Angelo Martins Denicoli, morador de Colatina, foi interrogado nesta quinta-feira (24) pela 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Réu na Ação Penal 2694, que apura uma suposta tentativa de golpe de Estado e a disseminação de informações falsas sobre o processo eleitoral brasileiro, Denicoli negou qualquer participação na trama investigada pela Procuradoria-Geral da República (PGR).
Segundo a denúncia apresentada em fevereiro deste ano, Denicoli integra o chamado “núcleo 4”, grupo acusado de atuar de forma coordenada na propagação de desinformação contra o sistema eleitoral, ao lado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros 32 réus. No entanto, durante o interrogatório, o militar da reserva se defendeu dizendo que não tem qualquer qualificação técnica para questionar o processo eleitoral.
“Quero deixar claro que não sou estatístico, não sou matemático. Não tenho qualificação alguma para fazer auditoria em qualquer sistema, nunca falei de fraude”, declarou Denicoli. “Desde 2013 moro em uma cidade pequena do Espírito Santo, chamada Colatina, bem longe de Brasília.”
O depoimento foi realizado de forma virtual. Denicoli respondeu às perguntas da magistrada responsável pela audiência, mas, por orientação de sua defesa, optou por não responder às questões formuladas pela PGR e pelos advogados das demais partes envolvidas no processo.
Durante o interrogatório, o réu também afirmou que, desde que entrou para a reserva do Exército em 2013, não mantém contato com militares ou agentes públicos de Brasília. Ele também negou ter produzido relatórios ou análises sobre as urnas eletrônicas, como consta na denúncia.
A denúncia da PGR afirma que o grupo do qual Denicoli faria parte atuava para desacreditar o sistema eleitoral, com o objetivo de impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), eleito democraticamente em 2022.
O processo segue em tramitação no STF e ainda não há previsão para julgamento.














