O homem suspeito de matar a tiros Wagner Aguiar dos Santos, de 36 anos, em plena luz do dia, ao volante de um carro em Pontal do Ipiranga, Linhares, no Norte do Espírito Santo, se apresentou espontaneamente à Polícia Civil na tarde desta terça-feira (29). Dihony Gonçalves Viana, que é ex-marido da atual companheira de Wagner, confessou o crime e relatou sua versão dos fatos. Mesmo assumindo a autoria, ele foi liberado após prestar depoimento, por não haver flagrante ou mandado de prisão em aberto.
O caso gerou comoção por ter ocorrido diante da ex-companheira de Dihony, que presenciou a execução. A vítima era o atual companheiro da mulher. Dihony chegou à Delegacia Regional de Linhares acompanhado de um advogado e entregou à polícia o relato do que teria motivado o crime.
Em nota, a Polícia Civil esclareceu que “conforme prevê a legislação brasileira, a prisão de suspeitos só pode ser realizada em situação de flagrante delito ou por meio de mandado de prisão expedido pelo Poder Judiciário”. Como nenhuma dessas condições se aplicava no momento da apresentação, Dihony foi liberado após o depoimento.
Relato do suspeito
Segundo seu advogado, Arthur Borges Sampaio, o suspeito alegou legítima defesa. Em seu depoimento, Dihony afirmou ter mantido um relacionamento de quase nove anos com a ex-mulher, com quem tem um filho de cinco anos. Disse também que está separado há cerca de um ano e cinco meses e que, após ouvir boatos sobre o envolvimento dela com Wagner, decidiu “investigar” o passado do homem, concluindo que ele teria passagens pela polícia.
De acordo com Dihony, ele teria alertado a ex-mulher sobre esses supostos antecedentes, mas ela teria repassado o áudio a Wagner. Em 2022, a vítima teria procurado o suspeito em sua casa, no bairro da Penha, acompanhado de outros homens. Desde então, segundo sua versão, teria passado a se sentir ameaçado e, por isso, comprou uma arma de fogo — embora negue que andasse armado com frequência.
No dia do crime, ele afirma ter sido surpreendido com a presença de Wagner durante o momento em que a ex-mulher foi buscar o filho. Wagner teria permanecido dentro do carro e o chamado para uma conversa, que durou poucos segundos antes de se transformar em discussão. Dihony alegou que pensou que o rival estivesse armado e disparou três vezes. Nenhuma arma foi encontrada com a vítima.
Após o crime, o suspeito fugiu pela região de Urussuquara e se refugiou em Nova Venécia. O advogado informou que a arma utilizada será entregue à polícia nesta quarta-feira (30), em local combinado com a defesa.
Defesa sustenta legítima defesa
O advogado Arthur Borges Sampaio reforça a tese de legítima defesa e garante que há boletins de ocorrência registrados por Dihony relatando ameaças sofridas. Segundo ele, o cliente está à disposição das autoridades e o delegado responsável pelo caso teria sinalizado que, diante dos fatos narrados, não solicitará prisão preventiva por enquanto.
A Polícia Civil informou que o caso segue sob investigação. Familiares da vítima não comentaram publicamente a apresentação e o depoimento do suspeito. A liberação de Dihony, mesmo após a confissão, gerou questionamentos nas redes sociais e entre moradores da região, especialmente pela brutalidade do crime e o fato de ter ocorrido diante da companheira da vítima.
Informações que possam auxiliar na apuração do caso podem ser repassadas de forma anônima pelo Disque-Denúncia 181.














