O advogado Tom Goodhead, fundador do escritório britânico Pogust Goodhead, foi afastado do cargo de CEO em um momento decisivo para a ação coletiva de £36 bilhões (cerca de R$ 255 bilhões) movida contra a mineradora BHP, em razão do rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), em 2015. A informação foi divulgada pelo jornal Financial Times nesta quinta-feira (7).
A substituição ocorre após tensões internas com o fundo americano Gramercy, principal financiador da causa que representa mais de 640 mil vítimas da tragédia, incluindo moradores do Espírito Santo — como Colatina, Baixo Guandu e Linhares — e comunidades mineiras. Com a saída de Goodhead, o escritório perde os dois advogados que davam nome à banca: Harris Pogust já havia deixado o cargo em dezembro de 2024, ao anunciar sua aposentadoria.
Segundo um memorando interno da firma, Goodhead está “de licença”, e a diretora de operações Alicia Alinia assume interinamente a função de CEO. A mudança ocorre enquanto a firma aguarda uma decisão crucial sobre a responsabilidade da BHP, após o encerramento da primeira fase do julgamento no Tribunal de Tecnologia e Construção da Alta Corte de Londres, presidido pela juíza Finola O’Farrell.
Processo histórico e mudanças estratégicas
A primeira fase do julgamento foi concluída em março de 2025, e a decisão da magistrada sobre a responsabilidade da BHP deve ser divulgada nos próximos meses. Se a culpa for confirmada, a segunda fase do processo, prevista para outubro de 2026, será dedicada à quantificação dos danos e definição das indenizações.
O fundo Gramercy, que já aportou mais de £450 milhões no processo, é considerado peça-chave na sustentação financeira do caso — um dos maiores do tipo em litígios coletivos internacionais. Apesar disso, o escritório afirma que os financiadores “não são membros do conselho e não participam da gestão diária”.
Além da nova CEO interina, o conselho da Pogust Goodhead foi reformulado e passa a contar com nomes como Howard Morris (ex-Dentons) e Joseph Moreno (ex-procurador federal dos EUA). Tom Goodhead continua como membro do conselho.
Em nota enviada ao portal Poder360, o escritório afirmou manter seu compromisso com os clientes e que “este promete ser um ano de grandes conquistas”, com o apoio contínuo dos financiadores e “avanços significativos” nos principais processos da firma. A mineradora BHP, também citada, declarou que não irá se manifestar.















