No extremo sul do planeta, cercado por blocos de gelo e pelo mar de azul profundo, o capixaba Marcos Vinícius Tito, conhecido como Tito, viveu uma experiência inesquecível. Natural de Povoação e morador de Regência, em Linhares, ele trocou as ondas do litoral capixaba pelo frio intenso da Antártida para participar de uma expedição científica que levou a tecnologia da realidade virtual à Estação Antártica Comandante Ferraz, em parceria com a Marinha do Brasil e a Força Aérea Brasileira.
“Foi minha primeira viagem internacional e já fui direto para o extremo do mundo”, contou Tito, emocionado ao relembrar o convite feito pelo amigo e parceiro profissional, Daniel Venturini. A dupla registrou imagens em 360 graus que permitirão a escolas, museus e projetos ambientais no Brasil oferecerem a experiência de um passeio virtual pela base, mostrando desde o refeitório e acomodações até a rotina de militares e pesquisadores.
Viagem até o “fim do mundo”
A jornada começou em janeiro deste ano. Tito e Daniel partiram de Regência rumo à Antártida, passando por Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Chile, de onde embarcaram em um navio polar da Marinha. Para atravessar a temida Passagem de Drake, conhecida pela instabilidade, contaram com a sorte de uma travessia tranquila, em meio a golfinhos, baleias e pinguins.
Foram dez dias na Ilha Rei George, convivendo com cientistas do Brasil e de outros países. Nesse período, Tito acompanhou pesquisas sobre os impactos do degelo na vida marinha. “Um dos estudos que mais me impressionou analisava como a retração das geleiras altera a salinidade da água e afeta o comportamento dos peixes. É tudo interligado”, destacou.
Choque térmico e lições da convivência
No retorno ao Brasil, Tito se deparou com um contraste marcante: depois de enfrentar temperaturas negativas, encontrou sensação térmica de 50 graus no Rio de Janeiro. “Desacostumei. Só pensava em voltar para o frio”, brincou.
Mais do que imagens, a expedição trouxe lições de vida. “Na estação, todo mundo é igual. Pesquisador, militar, cozinheiro… cada um tem um papel essencial e todos dependem uns dos outros. Isso cria um senso de comunidade muito forte”, disse.
Inspiração para as novas gerações
De volta a Regência, Tito foi recebido com festa pelos amigos e curiosidade pelas crianças dos projetos socioambientais em que atua. “Alguns me chamam de ‘pinguim’. Outros dizem que querem ser como eu quando crescer. Isso me emociona, porque vejo que minha história pode plantar sementes”, contou.
As imagens captadas em 360 graus devem ganhar espaço em atividades educacionais no Espírito Santo e em outras regiões do Brasil, proporcionando a estudantes a chance de conhecer a Antártida sem sair da sala de aula.
“Hoje eu vejo com clareza que meu papel é contar histórias da natureza usando o audiovisual para inspirar e conscientizar”, concluiu Tito, com a bagagem carregada de lembranças e o olhar renovado após viver uma aventura no extremo do planeta.















