Está aberta ao público, em Santa Teresa, a exposição “Moradores da Floresta”, que reúne mais de 100 peças plastinadas — técnica inovadora e ainda pouco conhecida no Brasil que preserva de forma realista tecidos e órgãos biológicos. O acervo, do Museu de Ciências da Vida da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), foi preparado no Labplast, considerado o maior laboratório de plastinação do país.
A mostra é fruto de uma parceria entre o Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e a Ufes, e pode ser visitada até o dia 5 de outubro, no Museu de Biologia Prof. Mello Leitão, sempre de terça a domingo, das 8h às 17h.
O acervo é formado, em grande parte, por animais silvestres da Mata Atlântica encontrados mortos no trecho da BR-101, que cruza a Reserva Biológica de Sooretama, no Norte do Espírito Santo. Outros exemplares foram vítimas de caça ou de doenças, como a febre amarela.
Entre os destaques estão anfíbios, répteis, primatas, felinos, aves e marsupiais, muitos deles ameaçados de extinção.
Diferente da taxidermia, que preserva apenas a pele dos animais, a plastinação mantém íntegros órgãos e tecidos, oferecendo um conhecimento mais completo da anatomia de cada espécie. O método foi criado na Alemanha há cerca de 40 anos e substitui a água corporal por um tipo especial de plástico, tornando as peças resistentes, duráveis e ideais para fins educativos e científicos.
O professor Athelson Bittencourt, coordenador do Museu de Ciências da Vida e curador da exposição, explica:
“A plastinação preserva integralmente o tecido biológico. O material mantém suas características anatômicas por tempo indefinido, sem ser vulnerável à ação do tempo, da umidade ou de insetos, como ocorre na taxidermia. Além disso, as peças são resistentes ao manuseio e podem ser usadas em diferentes contextos educativos e museológicos.”
A exposição também busca despertar no visitante uma reflexão sobre a preservação da biodiversidade brasileira e o papel da ciência na educação ambiental. Uma das atrações é a possibilidade de tocar em algumas peças, ampliando a experiência interativa, especialmente para pessoas com deficiência visual.














