Professores de João Neiva entram em greve por valorização salarial e denunciam defasagem histórica nos vencimentos

Categoria alega receber até R$ 1,1 mil abaixo do piso nacional do magistério; nova assembleia está marcada para segunda-feira (6)

Os professores da rede municipal de João Neiva, decretaram greve e realizaram, na manhã desta quinta-feira (2), um ato nas principais ruas da cidade. A mobilização, organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Espírito Santo (Sindiupes), cobra valorização salarial e o fim da defasagem histórica nos vencimentos.

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Atualmente, a categoria recebe R$ 1,9 mil, valor que está R$ 1,1 mil abaixo do piso nacional da carreira docente, fixado em R$ 3.042 para 25 horas semanais. A diferença representa uma perda de aproximadamente R$ 14 mil ao ano para cada profissional.

“O professor não quer estar em greve, mas não dá para receber R$ 1,1 mil a menos do piso. Estamos há décadas defasados, e chega uma hora em que não dá mais para aceitar”, afirmou Carlos Duarte, dirigente do Sindiupes em João Neiva.

A greve foi aprovada em assembleia no mês de setembro e, desde então, tem resultado em paralisações parciais, com suspensão de aulas no turno da manhã. Uma nova assembleia está marcada para segunda-feira (6), após reunião agendada com a gestão do prefeito Paulo Sérgio Micula (Republicanos), quando os professores vão avaliar se mantêm ou ampliam o movimento.

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Segundo o sindicato, nos últimos cinco anos de gestão de Micula, os reajustes salariais se limitaram a pequenos aumentos vinculados ao índice inflacionário. Em 2022, por exemplo, enquanto o piso nacional subiu 33%, os servidores receberam apenas 5% de reajuste.

A categoria afirma que João Neiva está entre os municípios que menos remuneram professores em todo o Espírito Santo. “É um dos cinco piores salários do Estado. O professor faz mestrado, doutorado, cumpre toda a formação exigida, e recebe R$ 3,3 mil. É quase o salário inicial de outras cidades”, criticou Carlos Duarte.

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O dirigente também rebateu o argumento da prefeitura de que o município não teria condições financeiras para pagar o piso. “O prefeito sempre diz que João Neiva é um município pequeno, mas o Fundeb chega aos cofres municipais. Esse argumento não convence”, disse.

A defasagem salarial não é exclusiva de João Neiva. De acordo com levantamento do Inep, apenas 37% das prefeituras capixabas pagaram corretamente o piso nacional em 2023, colocando o Espírito Santo como o segundo pior estado do país em cumprimento da lei. Neste ano, apenas 20 dos 78 municípios comprovam conformidade, segundo o Ministério Público Federal, que notificou 65 prefeituras – entre elas, João Neiva – para regularizar a situação.

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