A Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) vai investigar se as obras realizadas no Hospital Santa Rita de Cássia, em Vitória, contribuíram para a entrada e dispersão do fungo histoplasma, causador do surto que atingiu profissionais e pacientes da unidade. O microrganismo foi confirmado em 33 dos 141 casos investigados e é apontado como responsável por doenças respiratórias associadas ao hospital.
Uma das principais hipóteses sobre a origem da contaminação envolve reformas internas e externas próximas ao setor onde o surto começou.
Durante coletiva de imprensa nesta segunda-feira (10), o secretário de Estado da Saúde, Tyago Hoffmann, afirmou que o hospital passa frequentemente por intervenções estruturais e que essa será uma das frentes da nova fase de apuração.
“Ele passa constantemente por reformas maiores ou por pequenas manutenções internas. O hospital está passando por obras externas bem significativas”, explicou Hoffmann.
O subsecretário de Vigilância em Saúde, Orlei Cardoso, informou que uma equipe técnica da Sesa e engenheiros já iniciaram o mapeamento das obras realizadas no hospital.
“Nossa equipe já esteve dentro do hospital mapeando essas obras, tanto em terra quanto pelo ar-condicionado. Também estamos analisando documentos relativos às reformas”, afirmou.
Até o momento, nenhuma irregularidade foi identificada.
“No trabalho que fizemos lá, não encontramos resquícios de fezes de aves ou morcegos. O ambiente está limpo, então não temos como dizer se foi dali. Estamos mapeando para saber se, quando fez a obra, havia esse tipo de material”, completou Orlei.
O secretário reforçou que o objetivo da investigação é preventivo, e não punitivo.
“O Hospital Santa Rita tem colaborado em tudo e feito o que nós temos solicitado. Mas nós, enquanto vigilância, precisamos fazer essa investigação para corrigir eventuais falhas e evitar que outros surtos como esse possam acontecer”, afirmou Hoffmann.
Segundo o diretor do Laboratório Central do Espírito Santo (Lacen), Rodrigo Rodrigues, o histoplasma é um fungo comum em locais com acúmulo de fezes de morcegos ou pássaros. A contaminação ocorre pela inalação de esporos presentes no ar, e não por contato entre pessoas.
“Sótãos, telhados, cavernas e grutas têm o acúmulo dessas fezes. Às vezes, quando isso entra em suspensão por uma obra ou uma pessoa que entra em um local fechado por muito tempo, ela é exposta aos esporos”, explicou.
Além do fungo, a Sesa confirmou a presença da bactéria Burkholderia cepacia em uma amostra de água de um bebedouro da enfermaria do Santa Rita. O microrganismo teria sido responsável pela infecção de duas técnicas de enfermagem, que desenvolveram quadros mais graves.















