Especialista aponta pontos positivos, negativos e riscos no novo Estacionamento Rotativo de Colatina, apresentado pela Prefeitura

Após reunião com comerciantes e entidades, o ES FALA ouviu especialistas em mobilidade urbana e participantes do encontro; análise técnica revela avanços, fragilidades e pontos críticos do modelo proposto

A apresentação do projeto de lei que regulamentará o novo Estacionamento Rotativo de Colatina, realizada nesta semana pela Prefeitura, gerou repercussão entre comerciantes e entidades de classe. Diante da relevância do tema — que afetará diretamente a rotina do Centro e os principais corredores comerciais da cidade — o Portal ES FALA consultou um especialista e ouviu participantes da reunião promovida pelo Executivo para identificar os pontos positivos, negativos e críticos do modelo.

Publicidade

O projeto divide a cidade em três zonas de permanência, prevê 3.500 vagas regulamentadas e estabelece que os valores serão definidos posteriormente por decreto municipal. A Prefeitura afirma que o sistema integra o Plano de Mobilidade Urbana e promete parquímetros, QR Code, aplicativo e monitores nas vias.

A seguir, o que disseram os especialistas e representantes da sociedade civil ouvidos pelo ES FALA.

Publicidade

PONTOS POSITIVOS

Planejamento prévio e diálogo com setores afetados

Para um engenheiro de mobilidade urbana que conhece realidade de Colatina, ouvido pelo ES FALA, o fato de a gestão municipal ter iniciado um processo de reuniões antes do envio do projeto à Câmara é um passo importante.

Nenhum sistema de rotativo funciona sem escutar quem usa a cidade todos os dias. A Prefeitura acerta ao abrir diálogo com o comércio, que depende diretamente da rotatividade. Isso precisa continuar na fase de execução.”

Comerciantes que participaram da reunião também destacaram a abertura ao debate. Um empresária do ramo resume:

Publicidade

“Foi a primeira vez que vi a prefeitura reunir para explicar uma mudança desse porte no transito. Isso aparentemente dá mais transparência.”

SIGA O INSTAGRAM DO PORTAL DE NOTÍCIAS ES FALA:@esfalaoficial

Comerciantes e entidades participaram da reunião/Imagem crédito site PMC

Os participantes da reunião e o especialista concordam que a adoção de tecnologias como parquímetros, aplicativo integrado e QR Code corresponde às práticas mais modernas utilizadas hoje em diversas cidades brasileiras.

Ainda segundo o engenheiro:

A tecnologia reduz conflitos, evita multas indevidas e cria rastreabilidade. QR Code e app são ferramentas que dão autonomia ao usuário e diminuem o papel do monitor, que deve ser apenas orientador, não agente punitivo.”

PONTOS NEGATIVOS

Falta de estudos técnicos divulgados

Apesar dos avanços, um dos principais problemas apontados pelo especialista consultado pelo ES FALA é a ausência de dados que embasem as decisões.

“A Prefeitura fala em modernização, mas não apresentou dados de ocupação de vagas, medições de fluxo, diagnóstico técnico nem justificativa numérica para 3.500 vagas regulamentadas. Sem isso, o risco de erro é alto”, revela um dos participantes.

Segundo ele, cidades de porte semelhante a Colatina costumam iniciar com números mais modestos e ampliar conforme avaliações periódicas.

Valores definidos por decreto preocupam

Entre todos os pontos do projeto, o especialista e alguns participantes da reunião concordaram que definir o valor das tarifas por decreto, ou seja, exclusivamente pelo prefeito, é um dos itens mais sensíveis.

A comerciante entrevistada diz:

O comércio precisa de previsibilidade. Se o prefeito puder reajustar a tarifa quando quiser, ficamos vulneráveis. Isso preocupa todo mundo.”

Um membro ligado a uma das entidades que participaram também fez alerta semelhante:

Em modelos modernos, o limite de preço ou o índice de reajuste fica na lei para evitar abusos. Do jeito que está, a tarifa pode aumentar sem debate público.”

ACOMPNAHE AS NOTÍCIAS DO ES FALA TAMBÉM PELO FACEBOOK

Apresentação do novo estacionamento rotativo contou com a presença do prefeito Renzo Vasconcelos e secretários/Imagem crédito PMC

PONTOS CRÍTICOS

Número elevado de vagas

A previsão de 3.500 vagas regulamentadas chamou a atenção do especialista, que considerara o número elevado para o porte de Colatina.

É um volume alto para uma cidade de médio porte. Se o objetivo é rotatividade em corredores críticos, isso deveria ser concentrado nas áreas mais sensíveis. Expandir demais gera rejeição e peso financeiro para moradores e trabalhadores”, avalia o engenheiro.

Monitores “por toda a cidade” e custo operacional elevado

O projeto prevê uma presença expressiva de monitores nas ruas. Segundo especialistas, essa estratégia é considerada ultrapassada e tende a encarecer a operação.

“Hoje o mundo caminha para menos monitores e mais tecnologia. Focar em equipe grande aumenta custo, aumenta conflito e pode tornar o sistema mais caro para o usuário”, explica o especialista.

Prazo de seis meses é visto como otimista

A promessa da Prefeitura de que o sistema começaria a operar em seis meses após aprovação também gerou dúvidas.

“Pelo padrão nacional, uma implementação completa leva de 10 a 14 meses. Parquímetros, sinalização e treinamento são etapas complexas. Se for em seis meses, será um feito raro”, avaliou.

A análise unânime entre especialista e participantes é que o sistema tem elementos modernos e avança ao dialogar com a sociedade, mas precisa de mais transparência técnica antes de ser votado.

Entre os pontos que exigem esclarecimento da Prefeitura, estão:

  • Qual o estudo técnico que definiu as 3.500 vagas?
  • Como será a política para moradores do Centro?
  • Haverá limite legal para reajustes de tarifa?
  • Como o sistema se integra ao transporte público?
  • Qual o impacto econômico sobre comerciantes e trabalhadores?

Para as pessoas ouvidas, só com esses dados o Legislativo deveria votar o projeto com segurança jurídica e transparência.

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Clique no botão abaixo e envie sua mensagem.

Notificar informação incorreta

Notou alguma informação incorreta nesta matéria? Nos ajude a corrigir o mais rápido possível! Envie sua mensagem usando o formulário abaixo.